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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O que acham da atitude de Carolinie Figueiredo?

O final é zueira, se atentem no discurso......

sábado, 19 de dezembro de 2009

Um feliz 2010 cheio de incertezas.



Promessas! 2010... Tudo tão incerto, tudo novo novamente, planos, listas, promessas! E nada a cumprir, sempre foi assim. Odeio esse clima natalino, detesto essa esperança que bate em meu ser todo final de ano e só fica no sentimento e na lembrança da alma perdida. Sou assim previsível, sou assim um misto de incerteza e mais nada. Queria um final de ano diferente, queria realmente poder acreditar nesse espírito natalino que desce em quase todos os seres da face da terra, mas não! Acredito numa falsidade, acredito que se for para ser bom que seja o ano todo. Dezembro me deixa depressiva, me traz lembranças que não sei explicar, mas sei sentir, e sinto tão forte dentro do meu coração que aqui estou eu tentando extravasar de alguma forma. Uma taça de vinho, sábado à noite a rua cheia e eu novamente no meu quarto. Esse não seria o programa ideal, essa não seria eu alguns anos atrás. Mas a vida muda, as pessoas mudam, amigos se vão, outros mudam a rotina, e eu? Igual. Mas dezembro, mas as promessas, as listas não cumpridas, tudo isso mexeu comigo e nesse dezembro estarei mais só do que nunca, estarei a ficar entre trabalho, leituras, música, cama, notebook e só. O que me falta? Amigos, amores, paixão! O que me resta? A solidão talvez.

Taty, voltando a escrever, ou pelo menos tentando.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Caso Ibotirama- Vamos refletir!

Em primeiro lugar deixo o meu to-tal repúdio a qualquer violência, agressão, maus tratos contra crianças e adolescentes. Contra qualquer ser vivo.
Se você ler livros como A história social da criança e da família- Phillipe Ariès ou a Historia de la infãncia de Demause, ficará horrorizado com o progresso humano. Como as crianças e bebês eram tratados até se tornarem centro do afeto da família burguesa.
Foi um processo longo, alguns direitos foram conquistados e outros...bom, estamos na luta!

O que aconteceu em Ibotirama precisa URGENTEMENTE ser esclarecido e que os culpados, sejam quais forem, severamente punidos.

O que me preocupa de imediato, dado que violências ligadas a religiões são extremamente difícil de acontecerem, mas a repercussão que se tem é muito grande. (também pudera!)
Mas principalmente a repercussão negativa que isto traz a Cultura Negra e as religiões espiritualistas e afros descendentes.
Acho que o nome Magia Negra já tem a intenção de indicar os culpados e colocar uma herança maldita. Afinal, por que negro sempre tem o cunho pejorativo!
Não estou querendo defender as religiões. Mas as pessoas tendem a colocar todos no mesmo balaio! Eu fazia isto até estudar sobre
Abuso Sexual Ritualístico escrito por Luiz Mott.
Depois, toda a mística que eu tinha sobre magias e sortilégios foram se des-construindo para surgir um pensamento mais coerente sobre o assunto.
E sinceramente os rituais mais destrutivos (ler utilizados) são aqueles que ocorrem diariamente dentre de um lar, sem religião nenhuma, só os pais fazendo de seus filhos objetos de seus gozos ou frustrações.
As religiões africanas são diferentes entre si: rituais, práticas e crenças. A maioria delas não estão ligadas a sacrifícios e torturas humanas ou/e de animais.
Muito pelo contrario, estes rituais estão ligados a outros tipos de religiões fundamentalistas originadas nos países nórdicos. Mas sinceramente, apontar isto ou aquilo não vem ao caso.
O que eu quero dizer: Cuidado com os sensos comuns. Umbanda é diferente de Candomblé que é diferente de Quimbanda...e por aí vai!
A Cultura Negra está entranhada neste solo, na nossa língua, culinária, nas nossas danças e músicas.
Os pretos vieram e travam lutas diárias para conseguir sobreviver, viver e sonhar.

Eu sei que é difícil e o caso é assustador. Nenhuma criança deve ser objeto. Se for provado os culpados é preciso puni-los, se ligados a uma religião...busque a história da mesma, não para justificar, mas para saber distinguir e não criar mais preconceitos!

Deixando claro, que os culpados sejam eles quem forem, da onde forem, pelos motivos que tiveram, MERECEM SER PUNIDOS PELO QUE FIZERAM. A responsabilização das pessoas é um braço na luta contra qualquer Tipo de Violência.

Ana Laura, esperançosa para que uma vidinha sobreviva a este mundo.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Lista de Livros para 2010


  1. A América não está na mídia- Mario Augusto Jakobskind

  2. Cidadão de Papel- Gilberto Dimenstein

  3. Infância que nos escapam- Leni Vieira Dornelles

  4. Um menino que só queria acabar com a solidão- Tiago de Melo Andrade

  5. Antologia Poética- Carlos Drummond de Andrade

  6. A Africa na Sala de Aula/ Visita a história contemporânea- Mia Couto

  7. Grande Sertões Veredas- Guimarães Rosa

  8. Abuso Sexual em Crianças- Cristiana Sanderson

  9. A construção do público: cidadania, democracia e participação- José Bernardo Toro

  10. A Estrela da Vida Inteira- Manuel Bandeira

  11. Auto da Compadecida- Ariano Suassuna

  12. O convite- Oriah Mautain Dreamer

  13. História das Mulheres no Brasil- Mary del Priore

  14. História do Cotidiano- Mary del Priore

  15. A arte de semear estrelas- Frei Betto

  16. Carta a três Marias- Cecilia Meireles

  17. Rompendo a Cerca. A história do MST- Jan Rocha

  18. Haximu. A História de um massacre-Jan Rocha

  19. A menina sem estrela- Nelson Rodrigues

  20. Mensagem aos jovens- Elen G. White

  21. Melhores Contos- Lima Barreto

  22. Alexandre e outros heróis- Graciliano Ramos

  23. Alguma Poesia- Carlos Drummond de Andrade

  24. Antes do Baile Verde- Lygia Fagundes Telles

  25. Vá aonde seu coração mandar- Suzana Tamaro

  26. A Partilha do Sensível. Estética e Política- Jacques Rancière

  27. O Mestre Ignorante- Jacques Rancière

  28. Estorvo- Chico Buarque de Holanda

  29. Preconceito linguístico- Marcos Bagno

  30. A arte de governar crianças- Francisco Pilotti e Rizzini Irene (org)

  31. A Batalha da Mídia- Dênis de Moraes

  32. As metamorfoses da Consciência de Classe- Mauro Iasi
  33. Memorial de Maria Moura- Rachel de Queiroz


Ana Laura. Lista que se arrasta desde 2008, só vem crescendo...Quem já leu algum destes e desejar falar sobre o livro. Enjoy

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Forte das Rosas.


Numa gigantesca construção, rosas florescem no meio do lixo. Se você olhar bem perto, reescrevem a história daqueles tijolos abandonados pelas tolices e os re-colocam como Lar.
Uma construção no meio do nada de terra e mato. Lá elas aproveitam o abrigo de um teto e a possibilidade de um fogão comum. Muitas outras estão a morar e a dividir fogo e vida.
No quintal nada de flores, lixos tão somente. Claro, daqueles que se transformam em outro material, lixos que se reciclam, que se usam. Lá as rosas são somente elas.
Quem começou esta ocupação?
Só Deus sabe quem foi o primeiro que se achou dono do outro, o expulsou do seu lar, o oprimiu e o colocou a serventia de suas tolices. Quando não mais necessário, os deixou ir. Sem antes, os proibir de sua própria consciência como homem, dissendo: agora vocês são somente rosas.
Somente sendo rosa, estariam livres? Estas rosas ocuparam e habitam algo que se construiu no meio do lixo: mais conhecido como seu Lar. O lixo em muralhas são camuflagens, despertam desinteresses de lixos. Dentro da construção um Forte de Rosas, uma ocupação de liberdade, a retomada do seu.

Ana Laura. Hoje vi uma construção ocupada, vi somente mulheres e suas pilhas de material reciclado. Imaginei a guerra que seria viver naquele espaço, todos os dias, garantindo que ele é seu, o re-significando. Quantas construções perdem sua função social de proteger, acolher, cuidar e se tornam apenas abandonadas pelos Tolos e suas Tolices.
Pensei em rosas mulheres, uma das poucas plantas que aprendeu a camuflar na beleza seus afiados espinhos. Minhas rosas camuflaram na feiúra de seu lixo a retomada para humanidade. Um dia alguém decidiu que não teríamos um teto, comida e consciência. Mesmo assim, ainda existem Fortes florescendo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Bem que minha mãe disse: não brinque com água oxigenada!

Nesta época de ano, as pessoas ficam agitadas e realizam toda e qualquer loucura para ver a vida mudada. Afinal, as músicas natalinas cobram eficácia e eficiência do ano, mexendo com o subconsciente e dizendo as massas: “Então é Natal, o que você fez? O ano termina e começa outra vez!”
Então neste final de dezembro vale começar um regime natalino, virar esportista de fim de ano, assistir filme como louco, telefonar a todos os esquecidos, fazer novas dividas e até mudar o look e começar o ano com uma aparência diferente.
Ana Laura, não seria diferente. Em um salão empreende a derradeira tentativa de se sentir bem com o visual, afinal a balança este ano não mudou de posição, adora as comidas natalinas, o que garante nenhum regime e esporte fica adiado, pós-carnaval.
Entra no salão e pede mechas californianas. Sai do salão se achando surreal e desejando que sua impressão de total fracasso esteja errada. Mas como encarar uma reunião com amigos, desta forma? Pensa como o comprometimento pode ser uma faca de dois gumes. Suspira fundo, firma o pé e decide assumir seu novo look.
Chega atrasada. Todos se voltam a ela. Quantos olhos de piedade!
Aí, para... Estes olhares não é pra mim, é o diferente que choca, se acostumem com a nova Ana Laura!
-Que diferente seu cabelo, nossa, parece cachinhos dourados! A única pessoa que resolveu tocar no assunto.
AH! Sim...aquela menina atrevida e destemida que invade a casa de ursos malvados, come a comida deles, quebra a mobília, tira uma soneca e ainda fala para o Urso alfa. - Qualé, o que tá olhando? Nunca viu uma menina com cachos dourados? Mechas Californianas? É melhor não encarar, por que se não, nem Greenpeace te safa!
Até a rodoviária, Deus na sua bondade, ajuda Ana Laura ver a realidade. Lufadas de vento, chuva e umidade, faz com que a ilusão seja “naturalmente” destruída. Chegando em casa, no banheiro, na frente do espelho e então, ela diz:
-Espelho, Espelho meu. Diz que você colou a foto do Supla aí!?!?
O terror foi instaurado. Ana Laura recorre ao telefone e pede ajuda:
- Amanda, você não vai acreditar.
- Ai, meu Deus. Diga...
- Fiz mechas californianas!
- Sériooooo, que Mara!!! Como ficou?
- Você conhece aquele cara Piu Piu que o Gugu tirou da rua?
Do outro lado, uma gargalhada. Não tinha como não rir de tudo aquilo, histeria seria pouco!
- Você está brincando comigo! Daquela cor? Gente, mas a cabeleireira pintou, descoloriu... A conversa foi voltada para técnicas ocultas da cabeleireira e de como enganar uma cliente despreparada e carente.
Com tanto medo da consciência gritando sobre a Ditadura da Beleza que somente as 3 horas da manhã Ana Laura consegui dormir! Pesadelo
que durou até o meio dia, quando a natureza voltou aos seus padrões normais e uma tinta, mara da cor chocolate, tingiu até o céu de alegria!
Ana Laura, pós-trauma, se recupera com bastante humor. Quem nunca brincou com água oxigenada que atire a primeira pedra! Hoje a família se arrepende de não ter tirado uma foto para enfeitar a árvore de Natal. Mas deseja fazer das festas de final de ano algo realmente diferente: entregar a Ana Laura o troféu: Rainha dos Micos.
Dos Micos Leões Dourados!
Ana Laura. Só duas pretas ficam realmente lindas loiras: Beyonce e Sandra de Sá!

domingo, 29 de novembro de 2009

Las Mariposas

Engraçado hoje estar lendo justamente a história de Las Mariposas, ou as irmãs Mirabal.
Fiquei encantada com a história das Mulheres de Tejucupapo, valorizada no blog Maças Podres.
E lendo sobre as atividade do dia 25 de novembro: Dia Internacional pelo Fim da Violência contra a Mulher foi que eu descobri o motivo da data. Escolha em homenagem a história das irmãs dominicanas.
No dia 25 de novembro de 1960 elas foram cruelmente assassinadas devida oposição a ditadura de Rafael Leónidas Trujilo.
Lembro-me de assistir o filme No tempo das Borboletas, quando adolescente, e me encantar com a história. Cenas imemoráveis de um homem no telhado com uma borboleta entalhada em madeira (acredito que era de madeira ou outro material resistente), ele ruflava aquela borboleta no ar. E uma das irmãs olhava a corajosa ação do homem do lado de dentro da prisão.
Como um sinal de esperança para a luta daquela militante. Fico pensando em quantas borboletas precisamos para retomarmos a esperança? Ou quantas vidas perderemos.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Me leva cavaleiro Andaluz

Cavaleiro Andaluz
Bruna Caram
Composição: Otávio Toledo/J.C.Costa Netto
Amanheceu
Um elo entre as civilizações
Um novo Aquiles rompe os grilhões
E a cidade vai conquistar
Não lembra bem
De como aprendeu a lutar
Há tanta gente no calcanhar
Um semi-deus em cada portão

Escapar
A Liberdade dá no Japão
Acrópole é outra visão
Que a Vila Olímpia não alcançou
Decifrar
Há tanta esfinge aqui de cristal
Quanto edifício nesse quintal
Que a erva-cidreira já perfumou

Como emboscar
Dianas nesses bosques que há
Os olhos de Afrodite espiar
Nas fontes desse Parque da Luz
Você zarpou
Na costa da Ligúria bateu
Cruza a Paulista e o solo europeu
Virou meu cavaleiro Andaluz

Se embrenhou
Nesses traçados do coração
Ruelas da avenida São João
Escadarão do Municipal
Surpreendeu
Quem nunca sai da Consolação
Que ao menos na imaginação Um novo mundo existe afinal


Me leva Cavaleiro Andaluz...
A paz sempre há de estar com você...


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Dia da consciência continua



Retirei o outro Post porque nem eu estava aguentando entrar no blog e a musica começando a tocar.

Pequenos Detalhes

Tem tantas coisas que se aprende na vida, na cor, no orgulho de uma cultura que não conseguimos achar no google, no youtube...
São pequenos detalhes numa roda de ciranda, numa dança da cobocla, num hino dos Navios Negreiros. No jogo de capoeira, na brincadeira de um samba, no orgulho dos nossos guerreiros de armas e letras.
Estes pequenos detalhes que são da infância e dos tambores cadenciados afinados com os corações. São tramas tão pequenas, mas que tecem minha vida, minha história, minha forma colorida de me sentir humana.
Ana Laura

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Documentário Olhos Azuis. Sinta a violência e tire suas conclusões

O Documentário Olhos Azuis, antigo (nem me pergunte agora), apresenta um workshop na qual as pessoas de olhos azuis são tratadas rudemente. São humilhadas, separadas, desvalorizada, manipuladas e todo o tipo de violência que diariamente um afrodescendente sofre. Eu coloquei só um vídeo que tem no youtube, mas vale assistir todos. Muito.

Por que disso agora? O documentário é tão antigo que quase todos já assistiram!

Só que eu precisei dele para entender, ou pelo menos me iludir, que a minha pós graduação está fazendo a mesma coisa comigo.

Quero acreditar que estou sendo humilhada, desvalorizada, me sentindo sozinha ao lado de uma pós virtual e muito, muito manipulada por motivo maior. Uma pós sobre Violência Doméstica contra Criança e Adolescente que trata os alunos com tamanha violência deseja, tão somente, que vivenciamos o que as crianças e adolescentes vivem quando estão sendo vitimizados.

É isso. Só Pode.

Mas... Eu não quero mais brincar disso. Estou mais que triste, mais que violentada...aprendi a lição. Vai Doutora-Vilentadora-Professora-da-não-violência me ensina a ser humana!

Ana Laura, por favor não me acordem!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um minuto de samba...

ROBERTA SÁ, SAMDA DE AMOR E ÓDIO

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Primavera fez morada! (fotos)






Hoje resolvi fotografar um pouquinho da Primavera que fez morada em casa!
Ana Laura

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

EXIGÊNCIAS DA VIDA MODERNA - Autor desconhecido

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia...
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo - e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher... na sua cama.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal... Tchau!
Viva a vida com bom humor!!!


Não é de Verissimo. Os textos que são atribuidos de Luís Fernando Verissimo, ver neste blog:


http://ribeirobr.blogspot.com/2009/04/textos-falsos-atribuidos-luis-fernando.html

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dois de Novembro, um dia como outro qualquer...


Me lembro bem de quando era criança, acordavamos cedo e iamos todos para uma cidade vizinha, lá se reunia os irmãos, filhos, sobrinhos, netos e afins. Não parecia finados, era divertido, eles estavam alegres. naquela época eu não tinha problemas com cemitérios, a criançada se divertia, afinal eu não tinha conhecido pessoamente os que iamos visitar, os pais da minha avó desencarnaram bem antes de eu nascer. Os anos foram passando e vovó foi ficando cansada, e depois que seu filho "partiu", começamos a passar o feriado aqui mesmo. Acho que foi nessa época que meu problema com cemitérios começou. Era mais fácil ir quando quem se ama não partiu. Vovó acabou indo 4 anos depois, foi de encontro ao filho, ela sempre me dizia que não queria viver e ver outro filho partir. Talvez eu nunca entenda muito bem isso já que não tenho e nem pretendo ter filhos, mas senti a dor dela. Hoje junto com ela percebo que está se partindo os laços familiares. Não viajamos mais já que agora temos meu tio e vovó aqui no Horto da Igualdade, não nos reunimos mais como antigamente e essa data passou a ser um dia estranho, não sei como explicar, mas sinto o ar tão pesado. Não consigo aceitar a idéia de ir no cemitério levar flores, prefiro elevar meus pensamentos e fazer uma prece aos que amo, prefiro lembrar dos momentos felizes que passei ao lado deles, prefiro lembrar que apenas não os vejos mais, mas sinto e sinto tão perto que tem dias que me pego olhando pro nada e os vendo passar. Mas respeito essa data, porque sei que é importante pra algumas pessoas, tanto que estou aqui esperando minha mãe se arrumar para irmos levar flores aonde descansa o corpo da vovó, do meu tio amado e de tantos outros que lá estão.
Taty. Apenas Taty.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Re-fazendo as malas.


Engraçado como estes dias tenho pensado no processo de fazer as malas no final da faculdade. Foi bastante doloroso, pois doei (troquei, vendi) quase todas as roupas, livros, CDs, cacarecos, móveis (poucos), eletros domésticos e outras coisitas. Muitos ficaram no caminho...sem arrependimentos. Vendia os livros na faculdade por R$4,00..dava os CDs para quem achava que gostaria, as roupas minhas de cama e banho foram para Santa Catarina e outras coisas foram se tornando em presentes, trocados e escambo.
Muitos amigos têm um cacareco da Ana Laura! Um pedaço de mim? Talvez.
E neste quase um ano percebo que o processo de deixar continua acontecendo e de repente você se vê permitindo outros amigos, outras histórias, outras re-leituras. Mesmo com a saudade batendo na porta, mas já não há tanta angustia, não há tanta dor...o ultimo ano de faculdade doeu muito, mesmo. E agora, fica só o carinho, alguns eventos bons e a certeza que a melhor fase passou, mas que outras tão melhores quantas virão!

Continuo re-fazendo as minhas malas e deixando para trás tudo que já não tem sentido, utilidade ou mesmo espaço na minha vida. Prefiro, depois de tudo, viver, ter e guardar o que vale, realmente, a pena!
Ana Laura

sábado, 24 de outubro de 2009

Um pouquinho de Gadú...

Altar Particular, Maria Gadú. Existem outras músicas excelentes...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

As pessoas simples que eu tanto estimo


As pessoas simples que eu tanto estimo são aquelas que em pequenos detalhes me atraem a simpatia.
Aquelas que cantarolam pela rua qualquer música tola e vã.
Que se sentam em praças com livros ou se deitam em gramas com toalhas.
As pessoas simples que tanto me atrai são aquelas que sorriem com facilidade.
São também as que ainda tratam com Bons dias e Boas tardes...

Aquelas que andam de bicicleta pelo trânsito com cara de sol e manhã.
Simplicidade dos que ainda dão os braços e as mãos para caminhar, enfim, lado a lado com alguém.
Pessoas simples são aquelas que comem doces e oferece a todas as crianças em volta, sabendo que doce e criança tem acordo natural.
Simples são aquelas que se deixam lambuzar com um sorvete!
E oferecem o lugar no ônibus para um velho, uma mãe, um deficiente ou simplesmente por perceber o cansaço alheio.
Simplicidade é aquele olhar atencioso que transforma o estranho a oportunidade de próximo!
Ana Laura

domingo, 18 de outubro de 2009



Eu carrego a tua ausência entre tantos olhares que não vejo. Eu mastigo a tua solidão por entre a minha cheia de tesão. Sim eu vivo pra ti, que ainda não conheço. Eu vivo a lembrar dos teus beijos que ainda não sei o sabor, eu sonho com a tua mão na minha, e os teus labios encostado na minha face. Alimento-me dos meus sonhos carregados de ti, como um borrão numa tela em branco, com uma figura em meio ao sol, eu te levo sempre em mim, sem ao menos saber quem tu és nessa minha caminhada.


Taty, esperando o começo de um certo final feliz! (18/10/09 13:50 hrs)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Indícios para não levantar da cama


Quando a única calcinha é aquela grande e natalina que sua avó deu.


Quando o seu cabelo resolveu ter vida própria.


Quando você não tem vontade de se arrumar e acha que o cobertor é um bom modelo para o dia.



Quando retira todas as roupas do armário e todas marcam todos tecidos adiposos do seu corpo.



Quando o café derrama na roupa que dificilmente você escolheu e que agora vai ter que fazer tudo de novo.



Quando o carro ou a moto afoga mais que o comum. Ou mesmo quando perde o ônibus por míseros 2 minutos, não, não corra atrás dele.



Quando o tempo está horrível e você não consegue encontrar seu guarda-chuva e nem sua bola Wilson, caso naufrague por algum alagamento da avenida tal!



E por ultimo e importante, quando a chave some de forma assustadora e você começa ter a nítida certeza que sua casa tem doendes, hobbits domésticos ou orcs...



Se tudo isto acontecer: DESISTA, mesmo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

DIGRESSÃO


Todas as manhãs, sol já colocado no céu. Maria vai à praça, traçar suas pegadas em linhas circulares que chamava de trilha. Caminhada, caminhada, era o conselho do médico para a saúde. Cinco voltas eram necessárias para acreditar que o vigor, a saúde e a força voltariam. A beleza era o de menos, mas não faria nenhum mal.
Já na primeira volta ela repassava aquilo que não poderia esquecer: colocar a roupa na máquina, passar o punhado que estava na cadeira, escolher o feijão e, claro, o banho. Na segunda lembrava-se da casinha simples que viu construir e que acolheu a sua família. Lembrava então, das três lindas meninas, que agora mulheres, cada uma com um destino diferente. Um de saudade eterna, outro de professora letrada e letradora e a outra, tão parecida: casada cedo, mãe e dona de casa.
Lembrou do marido belo da juventude, da simplicidade do namoro, dos sapatos, dos vestidos domingueiros com pregas, dos sorrisos daquela época. Já estava na quarta volta e não se esqueceu da época da inocência que viveu bobo momento de se apaixonar, laços, fitas e prendas.
Na última volta já com olhos lançados no passado. Lembrou-se do ciúme paterno com o namoro e da teimosia do marido. Da dificuldade na infância, dos afazeres domésticos em suas mãos pequenas e desajeitadas. Lembrou da rudeza da mãe, do olhar triste para os filhos, dos remédios ruins de vermes e da beleza de um sertão.
O médico tinha razão, o coração ficava forte, belo e robusto no peito de Maria no final.


Ana Laura.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Canção do dia de sempre

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,

Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Mario Quintana

Foto de Eduardo dos Santos, Cambé-PR, divulgada pelo Jornal de Londrina

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Rodoviárias da vida

Nada como ficar tempo suficiente esperando um ônibus para se refletir nas rodoviárias e sua dinâmica.
Tem sempre a moça bonitona de "seios fartos" tentando carregar a mala gigantesca e nenhum condenado para ajudar! Não que só a mulher bonita deva ser ajudada, mas homem não entende mais de cavalheirismo, não é porque colocaram rodas nas malas que elas se tornaram leves e práticas. Tudo bem, não é porque colocaram enchimento no sutiã que nos tornamos a Central para Ações Caridosas! Brincadeira amigas dos sutiãs queimados!
Tem sempre alguém que senta no meio do banco, desconvidando qualquer um que pretenda dividir o "espaço ao sol!"
Tem sempre, tem vários, quase todos, perdidos sem saber plataformas, onde vai, onde fica. Pede informações e só perde a insegurança dentro do ônibus e sentado já na poltrona. Dá para observar o alívio dos rostos pelas janelas.
O bêbado está sempre lá cantando. Hoje escutei a versão mais cômica de Malandragem: "Quem sabe ainda sou uma garotinha, com a meia três quartos eu pego meu carro e mudo uma planta de lugar. " Fiquei imaginando como fazia sentido a equação: bêbado, meia três quartos e um carro, claro que ele poderia mudar uma planta de lugar: uma árvore talvez!
O pedinte é figura carimbada. As moedinhas para ajuntar e comprar a passagem para ver a mãe doente, para re-encontrar a família... os papéis com as histórias de tristeza, e, para os mais desesperados só resta mostrar os machucados e doenças. Tem também os que vendem poesias, estes eu sempre ajudo, se bem que nunca encontrei "a poesia", continuo a procurar um poeta de rodoviaria, cansado das Editoras Capitalistas e pronto para demonstrar seu dom...risos...
Tem as situações atuais: a cada espirro de alguém, muitos param de respirar por causa da Gripe Porcina!
Sempre tem o carinha com o óculos escuro, com fones no ouvido e mandando mensagem no celular. Morro de vontade de gritar: Em que mundo você vive? Mas acho que ele não se importaria. Bom, ema..ema...ema...cada um com seus dilemas!
Tem a pessoa que perde o ônibus e todo mundo fica compadecido. Put's é uma dor socializada...
Tem as crianças sorridentes que querem conversar, sorrir e nos fazer acreditar que vale a pena lutar pelo futuro.
Tem as pessoas que arrumam qualquer pretexto para puxar um papo, te tocar e dizer pelo menos: Nossa vai chover hoje, o ônibus tá atrasado, que calor, gente! Estas são as minhas prediletas.
Por ultimo e não inesquecível. Tem pessoas que cortam a fila do ônibus para embarcar....nestes momentos a turba vai ao delírio e grita: Sai daí, fura fila. Sem respeito. Tem que esperar como todos, ninguém é melhor que ninguém....e Ana Laura vai ao climax da felicidade, como é bom perceber que ainda conseguimos fazer barulho!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ai, que saudade D'ocê!

Feliz aniversário Tate.




É o Que Me Interessa Lenine

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.
Amo-te!

domingo, 6 de setembro de 2009

sábado, 5 de setembro de 2009

A bailarina não solta pum

Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita?
(Machado de Assis)
Acho esta frase genial e que me lembra bem o geitinho de acreditar que a beleza é sinômino de felicidade e perfeição, gente só a bailarina não solta pum!
  • "Nossa aquela moça se suicidou, era tão linda!"
  • "Um rapaz lindo, mas não tinha a perna"
  • "Gente aquele cara lindo é gay, que desperdício!"
  • "Não entendo porque tem tanta criança linda abandonada!"
  • "Dá até raiva um rapaz lindo e desperdiçando a vida..."
  • "Solteira? Como assim, você é linda!"
  • "Nem acreditei que era bandido, tão bonito que era"

e assim vai o fado dos feios e seus legitimados sofrimentos. Bonito não sofre e quando acontece é por pura injustiça, claro. Coff Coff.

Ana Laura, me exclamaram a quarta. E eu respondi:Porque não teriamos crianças para serem adotadas! (Fui bem ironica, mas a pessoa não entendeu!)

Momento Aleatório

SÓ FUI ASSISTIR AGORA
O filme O oitavo dia, com a direção de Jaco Von Dormael, lançado em 1996, é realmente estupendo. George tem síndrome de down e resolve fugir do lar, que o abrigava, para encontrar sua mãe. No caminho ele conhece Harry, lunático pelo emprego, separado, desgraçado, longe dos filhos, urucubaca mesmo. Bom, enfim, entre muitas coisas, o que se aprende é o valor da amizade e as diferenças que nos tornam iguais. O que eu gostei foi a singeleza do filme, da abordagem sobre a vida de pessoas com deficiência, como sentem e se relacionam. Adorei a parte que Harry fala para o policial: Ele é meio deficiente.

Fiquei pensando nos eufemismos patéticos da vida contemporânea, tão usados para encobrir nossos constrangimentos com a realidade.

LENDO SOBRE VIOLÊNCIA
O livro Abuso Sexual, pornografia – A infância é a última fronteira da violência da autora Carla Leirner. Excelente para quem adoraaaaaaaaa internet, orkut, msn, sala de bate papo. Ainda temos que repensar eticamente como usamos este meio de comunicação, como estão sendo usados e quem são as vítimas dos crimes na internet. Claro, que o livro trata, principalmente, do perfil brasileiro dos pedófilos e qual o meio mais rápido de encontrarem sua vítima. O site predileto, advinha...o orkut. Pois é, assunto para outro dia.

CONFESSO
Estava lendo um livro romântico... afff....sem comentários e não vou divulgar o nome do livro. Que vergonha jesus, que vergonha...não porque ser romântico, mas o livro é ruim mesmo, isto não nego. Mas confesso que adoro cavalheirismo, homens protetores, que abrem a porta, atenciosos, mandam flores, dizem eu te amo e ainda discutem relacionamento....aí, jesus, será que estou querendo demais?

ÓCIO CRIATIVO
Ultimamente tenho pensado em fazer meu Epitáfio contendo o nome e o motivo de todos que gostaria que Tomassem no Cú! Não é um momento de ódio não, é um momento de libertação, acredito piamente que quando você encontra o balde certo, no momento certo, você deve chutá-lo!

PRECISO DE UM FÍGADO
A ansiedade corroeu o meu. Quero logo a primavera e parem de derreter o mundo e esfriar minha vida! As flores já estão aí, os Ipês derramados no chão, as raízes das minhas orquídeas transbordando nos vasos. CHEGAAAA...quero mesmo é sol e calor!



Ana Laura, lutando contra a rotina, o mofo e o frio

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Preto no Branco - Luis Fernando Verissimo

“Escrevo peças porque escrever diálogos é a única maneira respeitável de você se contradizer.” Tom Stoppard
Um palco vazio. Entram dois homens, um vestido de preto e o outro vestido de branco. Eles representam os dois lados do Autor. Isso a platéia já sabe porque está escrito no programa. Pelo Autor. Ou por um dos lados do Autor, já que o outro era contra. O outro lado do Autor queria que o espectador deduzisse no transcorrer do diálogo que os dois autores representam a mesma pessoa, porque, na sua opinião, dar muitas explicações para a platéia subverte a relação de cumplicidade misturada com hostilidade que deve existir entre palco e público, e nada destrói este clima mais depressa do que o público descobrir que está entendendo tudo. Os dois lados do Autor discutiram muito sobre isto e prevaleceu o lado que queria ser perfeitamente claro, mesmo com o perigo de frustar o público. Palco vazio. Dois homens, representando os dois lados do Autor. Um todo de preto, o outro todo de branco.
Homem de Branco - Preto.
Homem de Preto – Branco.
Branco – Por que não cinza?
Preto – Vem você com essa absurda mania de conciliação. Essa volúpia pelo entendimento. Essa tara pelo meio-termo!
Branco – Senão fosse isso, nós não estaríamos aqui. Foi minha moderação que nos manteve longe de brigas. Foi minha ponderação que nos preservou. Se eu fosse atrás de você...
Preto – Nós teríamos vivido! Pouco, mas com um brilho intenso. Teríamos dito tudo que viesse à cabeça. Distinguido o pão do queijo com audácia. Posto pingos destemidos em todos os “is”. Dado nome completo a todos os bois!
Branco – Em vez disso, fomos civilizados. Isto é, contidos e cordatos.
Preto – E temos tiques nervosos para provar.
Branco – Você preferiria ter dito a piada que magoaria o amigo? A verdade que destruiria o amor? O insulto que nos levaria ao Pronto-Socorro, setor de traumatismo?
Preto – Preferiria. Para poder dizer que não me calei. Para poder dizer “Eu disse!”
Branco – Ainda bem que não é você quem manda em nós.
Preto – Não, é você. Sempre fazemos o que você determina. Ou não fazemos. Não dizemos. Não vivemos! Estou dentro de você, fazendo, dizendo e vivendo só em pensamento. Se ao menos eu pudesse sair aos sábados...
Branco – Para que, para nos matar? Pior, para nos envergonhar?
Preto – Melhor se envergonhar pelo dito e o feito do que pelo não dito e não adiado. Você sabe que cada soco que um homem não dá encurta a sua vida em 17 dias? E cada vez que um homem pensa em sair dançando um bolero e se controla, seu fígado aumenta? E cada...
Branco – Bobagem. Ainda bem que eu sou verdadeiro nós.
Preto – Não, eu sou o verdadeiro você.
Branco – Você só é nós em pensamento. Você é minha abstração.
Preto- Sou tudo o que em nós é autentico e não reprimido. O seja: você é minha falsificação.
Branco – Você não é uma pessoa, é uma impulsão.
Preto – Você não é pessoa, é uma interrupção.
Branco – Mas quem aparece sou eu.
Preto – Então o que estou fazendo neste palco, e ainda por cima de malha justa?
Branco – Você só está aqui como uma velha tradição teatral, o interlocutor. Um artifício cênico, para o Autor não falar sozinho. “Escrever diálogos é a única maneira respeitável de você se contradizer.” Tom Stoppard.
Preto – Quer dizer que eu só entrei em cena para dizer...
Branco – Branco. E eu...
Preto – Preto. Por quê?
Branco – Para mostrar à platéia que todo homem é a soma, ou a mescla, das duas contradições. Que no fim o destino comum de todos, cremados ou não cremados, não é ser branco ou preto, é ser cinza.
Preto – Mostrar a quem?
Branco – A pla... Onde está a platéia?!
Preto – Foram todos embora.
Branco – Será porque não entenderam o diálogo?
Preto – Acho que foi porque entenderam.
Luiz Fernando Verissimo. Preto e Branco. Publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo – Caderno 2, em 25/11/2001.

sábado, 29 de agosto de 2009

Será que estamos TODOS ENFIADOS na mesma loucura



Bom, eu cá pelas minhas andanças pelo Youtube me deparo com o vídeo Professora dançando o TODO ENFIADO. Este apelo foi tão forte e não pelo fato de ser uma professora, mas achei que o CRÉU tinha sido o fundo do poço!
Pelo nome já dá para saber que o buraco era bem embaixo e que o corpo da mulher seria representado como o sempre fora: mercadoria, objeto de consumo, corpo a ser violado entre tantas. É um vídeo que, para mim, vai para além do mau gosto.
Pergunto-me: não só como uma garota se submete a isto, mas a forma como o cantor age em relação a ela é de total repúdio. Todavia ninguém parou o show e todo mundo continuou rebolando... a vida real também é assim!
Sempre a mesma imagem de uma mulher se deixando dominar, uma mão alheia, um ato evasivo. Como se todas as mulheres gostassem de ser invadidas por mãos e pênis...estivéssemos a mercê engolindo violações e espermas! Tão gostosas e passivas!
A imagem feminina nunca foi tão perversa em manter as mulheres na teia histórica de objeto de casa, cama e cozinha. Com a erotização da sociedade não há outra mulher se não aquela cheia de curvas e pronta a ser penetrada. A imagem é tão forte que a mulher que não se rende se torna "disfuncional", ou seria consciente?
Lembro-me de um trote para calouras de direito que me chocou: Miss Cofrinho. Então vocês imaginam que uma moeda no chão e o ato de agachar se tornou para muitas a alcunha de mais um depósito de esperma universitário. Falo isto porque só algumas participaram do Trote, algumas que como a professora acreditaram que “assim é o Mundo”, “é isso que esperam de mim” “preciso ser aceita”
Não me importei pelo fato da mulher dançando fosse uma professora de pré-escola. AH! Vamos parar com tanta hipocrisia, porque há tempos atrás colocávamos nossas meninas para dançar a boquinha da garrafa! Aí, num surto de otimismo esperávamos que elas estivessem dançando música clássica no Bolshoi?
O problema não está somente na conduta de uma professora. Chocamos-nos, porque acreditamos que professoras de crianças são extensão da maternidade (as tias) e não profissionais com conhecimento técnico e de formação para o trabalho desenvolvido. Mas a meu ver, ficou despercebido que a erotização do corpo feminino já passou do mau gosto e da pejoratização.
Ninguém buscou os verdadeiros culpados: nós mesmos, todos, mulheres e homens. A culpa sempre recai sobre o privado ao contrário de pensarmos na utilização da imagem da mulher por grandes empresas e campanhas publicitárias, com caráter tão devastador quanto! Lógico que isto recairia na responsabilidade do Estado em relação à Democratização dos Meios de Comunicação entre outros, nos calemos por enquanto.
Criamos esta sociedade que sempre acreditou na mulher enquanto objeto.
Somos as mulheres da cerveja, do futebol, as mulheres que a revista colocou que sonhava com um estupro. Aquelas que em jogos e desenhos japoneses já somos retratadas como corpos a serem violados sejam por ETs ou por qualquer membro masculino. Eu fico chocada e chateada em saber que ainda não chegamos ao fundo do poço!




Ana Laura, o nome do famigerado joguinho é Repelay e os vídeos estão no Youtube...Me nego a postar eles aqui!
Foto de jogos de Louça do restaurante Rosenmeer, na cidade alemã de Moenchenglad

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Um minuto de música



Eu não entendo nada da melodia, mas enfim. Talvez o problema seja comigo. Estou adorando a cantora e as musicas...são bem calminhas e inspiradoras.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Teste sua indiferença

Você consegue sentir?

Quando seu único amigo é um cachorro

Senti?

Fome na Africa
Você consegue sentir?

Foto de Sebastião Salgado

E agora, consegue?

Foto de Sebastião Salgado

Consegue?

Pieta- Paulo Rego

E agora?

Olhe esta, ainda sente?


Tortura realizada por soldados americanos a prisioneiros de guerra no Iraque

Você consegue sentir algo?




Consegue, ainda sentir-se parte disto?

"Durante a guerra aprendi uma verdade que geralmente preferimos não enunciar: que a coisa mais brutal da crueldade é aquela que desumaniza suas vítimas antes de destruí-las. E que a luta mais árdaus de todas é permanecer humana em condições desumanas"

Janina Bauman, 1985. Inverno na manhã. Uma jovem no Gueto de Varsóvia.
Ana Laura

BORDIEU, Pierre


Eu não sei se existe um universo cósmico que interliga as pessoas e as ações, na qual nada é por acaso...estas idéias me assustam, mas em algumas situações me permitem dormir a noite!
Enfim, ultimamente tenho me deparado com o filosofo Pierre Bourdieu, melhor dizendo com os escritos e pensamentos do filosofo.
Vou colocar as frases que me apresentaram nestes dias:

"Sem o questionamento do sofrimento que mutila o cotidiano, a capacidade de autonomia e a subjetividade dos homens, a política, inclusive a revolucionária, torna-se mera abstração e instrumentalização."
Pierre Bourdieu

Esta me atingiu em cheio. Será que estou me questionando sobre o sofrimento alheio, será que estou agindo com a consciência deste sofrimento..opa, será que só liguei o automático e pronto?

“As mesmas discriminações que atribuem às mulheres as ocupações contínuas e invisíveis são instituídas sob nossos próprios olhos”

A opressão feminina é algo "legitimado" e permitido na nossa sociedade, muitos sequer a vê. Mas como ela é uma criação histórica, é passível de mudança.

“Não há democracia efetiva sem um verdadeiro poder crítico”

Sem comentários...

¨Eu mesmo tenho frequentemente lembrado que, se existe uma verdade, é que a verdade é um lugar de lutas. ¨

A idéia de luta, acredito eu, é provocar o cotidiano conformista que temos, mostrando as desigualdades social, raciais, gênero, geração, credo, cultura, poder aquisitivo e assim vai. É colocar na pauta do dia as verdades "veladas" e lutar que elas sejam vistas, sentidas e incorporadas como algo já não aceitável. É ter consciência que a Verdade imposta é que para uns comer outros têm que deixar de existir, mas por que se importar você ainda tem comida no prato! E esta verdade só pode ser combatido diante da luta que enfrentaremos com os poderes objetivos (os donos das riquezas, digamos assim) e simbólicos (conformismo, alienação, indiferença, individualismo, egoísmo e por assim vai), se não concebermos uma verdade de luta, teremos que conceber uma verdade conformista!

Alguns endereços, apropriem se da informação por completo... Sejam críticos, dialoguem, não perca o valor humano na sua vida, não perca o outro.

Ana Laura

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Releitura do Céu no Chão

Sentada no chão em companhia da caixa de giz de cera e da criatividade. Olhava de cima para baixo e de baixo para cima, o céu não transbardaria sem que a menina não visse. Sem que notasse que para transbordar o céu teria que passar por ela. Pelos olhos, cérebros, mãos e sentimentos.
Sim, ela fazia a sua releitura do céu no chão. Daquele céu cor de abóbora e nuvens pastéis e brancas, daquele que lembrava doce e lembrava brevidade.
Fazia dos perfeitos contornos da natureza o seu contorno infantil. Vários transeuntes desviavam da menina e do seu céu.
Mas ninguém conseguia não achar graça, beleza, paz e alegria ao ver a menina debruçada no céu de um chão.
Toda calçada forrada de nuvens brancas e cor de abóbora.
Ninguém soube a intenção daquela menina.
Só sabiam que ali havia a brevidade de um céu pintado e uma menina que o fez transbordar no chão.


Está meio confuso, eu sei, mas um pouco de paz passou no meu dia agitado. Lembro-me dê um vendedor de apitos que fazia bolhas, uma menina cigana que se encantou com aquilo. Lembro de ela ter dançado embaixo do apito de bolha e de eu ter sentido a maior paz do mundo. Nunca mais me saiu da cabeça a idéia que a paz está na simplicidade das crianças em se encantar. Ou será: em nos encantar?


Ana Laura

domingo, 23 de agosto de 2009


Vetados os excessos, fico a me imaginar quanto tempo me resta de vida?
Sim, pergunta macabra essa, não? Pode até ser, mas em pleno meus vinte e poucos anos, me sinto esgotada.
Essa vida tão igual, o tempo que corre apressadamente, a cada instante, a cada momento sem deixar tréguas, sem me deixar respirar.
Apenas as reticências permanecem, o que restará de mim? Afirmo e reafirmo que nada restará!
Sem árvores a plantar, sem filhos a gerar e muito menos meu nome a estampar, vivo e sigo assim anonimamente.
Mas tem dias que a brincadeira perde a graça e sorrir fica cada dia mais dificil. São as escolhas erradas, são os momentos apagados, e é a vida todos os dias me perguntando o que vim fazer aqui e sou eu todos os dias tentando lhe responder: Ainda não sei!
Taty.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Ultimamente

Ultimamente tenho estado bastante ocupada com os imperativos do início de uma carreira profissional. Àqueles tantos que você pensa:
Por que eu estou fazendo isto?
Estão comprando a minha alma? Será que ela está cara?
Onde eu enfio este cabo? (sim, eu tinha uma boa idéia!)
Onde você está querendo chegar?
Mas o que mesmo uma assistente social faz?
Gente, cadê a ética?
Será que isto me compromete?
Preciso arranjar outro emprego?
Vamos fazer um projeto?
Como é mesmo aquelas formulas no Excel?
Tem formula de tabela no Word?
Por que não quebro este computador????
Alô, alô, alô..você está me ouvindo??
Por que não quebro o telefone também?
Dá para me pagar?
Dá para ser mais humano?
Dá para entender?
Dá para parar de me encher?
Que hora vamos fazer algo?
?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????
??????????????????????????????????? Pára a palhaçada, já estamos no final de semana?

Ana Laura

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Teoria da Conspiração- Ironia do H1N1

Creio que muitos receberam este emeio. Eu, apesar de não saber a veracidade dos dados, fiquei pensando nas Teorias de Conspirações. Se elas são verdadeiras nem sempre sabemos, todavia é sempre bom nos questionar sobre a intenção por traz de toda e qualquer ação. Até mesmo a do emeio.
Principalmente aquelas ações que a Mídia Grande dá alarde. Gostei do texto e acredito que ele traz um enfoque da naturalização das "desgraças": a morte pela fome, infanticidio, país que extermina o outro, guerra civil e por assim vai. Você já não se importa? Tome cuidado quando os socos não fizerem mais efeito!

*A IRONIA NO SEU MELHOR ESTILO**
2000 pessoas contraem a gripe suína e todo mundo já quer usar máscara.
25 milhões de pessoas têm AIDS e ninguém quer usar preservativo...
*PANDEMIA DE LUCRO
Que interesses econômicos se movem por detrás da gripe porcina???
No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária, que se podia prevenir com um simples mosquiteiro.
Os noticiários, disto nada falam!
No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarréia que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 centavos.
Os noticiários disto nada falam!
Sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas, provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.
Os noticiários disto nada falam!
Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves......os noticiários mundiais inundaram-se de noticias...
Uma epidemia, a mais perigosa de todas...Uma Pandemia!Só se falava da terrífica enfermidade das aves.
Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos...25 mortos por ano. A gripe comum, mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25.

Neste momento o autor se refere algumas industrias farmaceuticas que lucraram muito na criação de remédios na época da Gripe das Aves e que são as mesmas que estão lucrando com a patente de um remédio na Gripe Porcina (brinc. do autor). Pode ser bobagem, mas fiquei com medo de anunciar, put's que covarde... vai saber né, assisti o filme Jardineiro Fiel (tinha colocado Amor sem fronteiras, é que são tantas idéias malucas do Tio Holly) e tenho medo até de farmácia!
Brincadeiras a parte. O meu recado é só para confirmar que precisamos urgentemente re-tomar nossa posição de sujeito coletivo, ligados única e exclusivamente pela solidariedade e afinidade pelo o outro.

Ana Laura

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Recadinho pessoal


Queria que soubesse que recomeçar é difícil, mas eu estou indo bem apesar de tudo. Soubesse que penso em te convidar a passear por aqui, mas tenho medo. Queria também que escutasse àquelas nossas musicas sem tantas mágoas. E que dividisse seus novos gostos musicais comigo. Soubesse que as Cafeterias seriam um bom espaço que faltou naquela época. E que o novo cobra a sua avaliação. Soubesse que comprei um livro de poesia e recuperei tantos livros que deixei por aí. E que tenho ido bem com a família e que os sonhos continuam os mesmos. Espero que saiba, só isto, que ainda escuto sua risada.

Ana Laura

domingo, 9 de agosto de 2009

Expressões excluídas da minha agenda revolucionária

Existem expressões que me inquietam bastante, apesar do costume em continuar reproduzindo-as. Sabe àquelas manias que deveriam ser diariamente vigiadas, pois então.
Eu odeio as expressões “Eu faço a minha parte” e “Seu direito começa quando termina o meu”. Estas frases estão bastante enraizadas no cotidiano, acho que por elas terem uma aparência de ética é que as pessoas a utilizam como justificativas. Poxa, mas será que ninguém percebeu o individualismo nisto tudo.
Fazer a parte... a minha parte...a parte que me cabe na consciência? A parte formalmente exigida? A parte que me faria dormir dia e noite na tranqüilidade? Não sei, porque quando penso no mundo do jeito que está não consigo ver a minha parte, não consigo ver como a minha pequena parte mudaria algo e me faria um ser sereno. Claro, e você me dirá: se cada um fizer a sua parte. Sim, mas será que somos cada, será que somos um, será que temos força sozinho? Será se eu fizer a minha parte, alguém vai fazer a dele e sucessivamente terá uma brincadeira de tombar os dominós?
E quando devo cobrar alguém que não está fazendo a parte dele? Como devo cobrar? A minha parte é minha ou ressoa em direitos coletivos...então, se exprime a parte de todos, porque não a expressão
Vamos fazer a parte para todos, com todos e por todos....
Muitos vão dizer que a transformação acontece de dentro para fora. Claro, não posso menosprezar a formação de um ser transformado para que imprima na realidade a transformação. Seria ridícula.
Mas a idéia que sozinhos conseguimos mudar realidades é a mesma idéia que demonstra que cada um deva buscar pelo seu direito. Um dia na história o Egoísmo foi exaltado para que houvesse a justiça social, se cada um buscar seus direitos logo não haveriam pessoas infelizes, porque todos buscariam e manteriam os direitos que eram do seu interesse. Cada um mantendo o seu direito, todos os manteriam, ora, era interesse de cada a conquista do direito. Ninguém pensou que para buscar os direitos, de forma individualizada, todos teriam que estar no mesmo patamar social, cultural, econômico, de respeito e por assim vai. Claro, que no Capitalismo a igualdade e liberdade são condições humanas respeitadas (coff, coff,coff) (bem rasteiramente a ideologia que permeou a economia e a esfera social no começo do Liberalismo)
Esta mesma idéia transita por nós revestida com novo tom, sabe aquela música Vestir o velho com o novo. Pois é, eu sinto assim. Você continua impingindo no mundo a sua verdade, a sua prática, a sua noção de certo e errado e de transformação sem reparar que as suas ações têm que repercutir no todo, no coletivo... e como você pode ser o porta-voz desse coletivo se se acredita que sozinho você faz a diferença? Sozinho você chega no outro, com o outro você transforma.
Sem julgar o certo e o errado de nossas lutas diárias. De repente decidimos em lutar por algo e por algumas coisas sem ao menos saber que existe um coletivo, uma luta de classe, ou de segmento, de grupo ou qualquer aglomeração humana. Perde se a noção de que juntos temos força e que sozinhos somos facilmente estraçalhados.... esconderiam o nosso corpo em baixo do tapete tão facilmente!
Quando estamos sozinhos temos o direito de cometer os erros mais escabrosos. Ora, não teremos parâmetros, não haverão horizontes. Não teremos o outro!
Ninguém é uma ilha, ninguém é sozinho neste mundo e não podemos acreditar que a minha luta é um recorte na sociedade, não podemos permitir que minha voz seja um monólogo, não posso ser beija-flor com gotas de água diante do incêndio. Tudo é muito poético, metáforas lindas, mas sozinhos seremos silenciados, somos enterrados com os nossos sonhos de mundo melhor.
Reflitam: Eu faço Pós Graduação Virtual. O curso não oferece estrutura de ensino aprendizagem condizente para uma especialização. Todavia, os alunos desta pós não conseguem se unir e propor, justamente porque não se conhecem, não se vêem, não tem a sala de aula como palco político de reivindicações, mas, sim, a tela do computador fria e solitária. Isto é vantajoso para quem: para o professor que não se compromete na produção do conhecimento, na faculdade que silencia e desarticula os alunos, os consumidores diretos do "produto" que oferta. Não há muitas vantagens para o aluno.
Nós precisamos pensar no coletivo, agir com o coletivo.
Muitas pessoas se destacam neste coletivo. Seres que emprestaram a voz para que falassem uma gama de outras pessoas, mas eles não estão sozinhos, não fazem dos “pobres” e “infelizes” seu objeto de luta, mas representam a si e os outros que ficaram no anonimato. Representam uma classe que se marginalizou, da qual ele faz parte. E tem mais, precisamos desta figura política, precisamos de ídolos, precisamos dos mártires para nos retirar do marasmo... mas acreditem, eles não estavam sozinhos, talvez pensassem mais em nós do que nós mesmo. Diferente, então, pensar que faziam a parte dele tão somente!
Outro exemplo muito clássico é o Bum do Movimento de Preservação Ambiental conjuntamente com o Bum Venda créditos de carbono. Enquanto nós brasileiros estamos na luta para manter o ambiente despoluído se vende as “atitudes conscientes” como créditos de carbono para que os Estados Unidos e outros países ricos continuem poluindo o mesmo tanto que poluíam. No final, NÓS salvaremos o Planeta Terra?
Só salvaremos o Planeta quando TODAS as nações desejarem esta finalidade.
Tudo começa por um ponto de partida... o homem, a humanidade e a história... sejamos realmente dialéticos, busquemos nos encontrar na humanidade para transformar, para o combate conjunto, não solitário!
Eu tenho medo da solidão que TODAS as pessoas que conheço descrevem na sua vida, eu faço parte deste grupo. Acredito piamente que esta solidão não é só culpa nossa, ela parece ser nossa nova onda de des-pertencimento humano...quanto menos humanos, melhores objetos a serem manipulados. Pensem nisso quando diariamente forem realizar a sua parte...depois de tudo meu conselho é anuncie sua parte com o todo, permita que este todo faça da sua parte a parte coletiva de Todos os anseios.


Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,a vida presente.


Carlos Drummond de Andrade
Obs: Como o post ficou deveras longo depois continuo escrevendo sobre os limites dos direitos. Desculpem se a contrução de texto transitou pela primeira pessoa do singular e depois primeira do plural, sei que não é formal fazer isto. Escrevo para eu conseguir chegar em você, para que construamos o conhecimento pautado no nós. Ana Laura

quinta-feira, 6 de agosto de 2009


Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gostoe sim porque aprendi a ser só...


Florbela Espanca


Tati, esse poema tem me traduzido nesses ultimos tempos!!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um minuto de maldade




Amém.
Ana Laura

domingo, 2 de agosto de 2009

Fragmentos...


..."...não somos seres suspensos em bolas de sabão, que vagueiam felizes pelos ares; nas nossas vidas há um antes e um depois, e esse antes e esse depois são uma ratoeira para os nossos destinos, pousam-se sobre nós como uma rede se pousa sobre a presa.(...)

O destino possui todo o poder e o esforço da vontade não passa de um pretexto.(...)

E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te e vai para onde ele te levar."


...a principal qualidade do amor é a força..."
...
...
Susanna Tamaro in "Vai Aonde Te Leva o Coração"
Tati, Li e me apaixonei.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Enfim

Ele morava já sozinho. Já sozinho há 3 anos. Ela se foi, enfim. Pensava assim em todas as manhãs que acordava às 7horas. Um suspiro antes de sair da cama. Enfim, era porque ela sofreu muito.
A manhã se fazia de café forte e o jardim nos fundos do quintal. Alface, cebolinha, salsa, coentro, alecrim, louro... no final das tarefas matutinas: as rosas e os brincos de princesa, lembranças vivas deixadas.
Almoço logo na esquina, bem barato e créditos com o dono do Restaurante. A prosa vinha e se estabelecia entre o passado e o presente. “Muita alface bonita” “E a perna machucada de guerra” “A falta que ela me fazia”. O futuro só se apresentava em conversas meteorológicas: “vai chover hoje” “o sol nasce!”. Enfim, o futuro não era tão interessante assim.
A tarde era da varanda. Qualquer distração... vizinho e mais prosa, algo a ser consertado, o rádio e um pouco de música. Tudo terminava no café forte, preto e coado lá pelas 16 horas.
Neste momento em diante era como se a dor voltasse da rua para dormir. Não, dormir significaria repousar enfim. Ela chegava e vigiava o jantar, a televisão, os sonos recortados e o coração de batidas fracas. Uma excelente vigia dos suspiros profundos, dos gemidos sufocados, das ânsias de chorar.
E logo o Sol surgia e tudo se repetia. Os brincos de princesa, da mais bela princesa da saudade, do presente na varanda, onde se podiam entreter as dores profundas do velho coração
. A noite sofrida e o sol logo surgindo.
Um dia de noite intensa. Os brincos de princesa vêm cobrar a ausência de cuidados. O almoço se fez num cheiro que cruzou a janela, mas que não supriu o apetite. Nada a se consertar a não ser a visão estonteada da cama jogada no teto. E a dor impiedosa, deitou junto a cama e conseguiu soprar vagamente suas melodias enfadonhas.
O Sol logo surgia na varanda solitária carregando na mão a Princesa de brincos. O futuro pede desculpa pela demora. Mas já não há mais desassossego para àquele coração. Consertado.
Enfim.
Ana Laura, estava pensando: onde que a rotina nos leva? O mesmo destino, enfim? A única coisa que torna o enfim diferente para cada um é a forma que re-contamos a mesma história. Re-contemos a história a cada dia, então.