domingo, 29 de novembro de 2009

Las Mariposas

Engraçado hoje estar lendo justamente a história de Las Mariposas, ou as irmãs Mirabal.
Fiquei encantada com a história das Mulheres de Tejucupapo, valorizada no blog Maças Podres.
E lendo sobre as atividade do dia 25 de novembro: Dia Internacional pelo Fim da Violência contra a Mulher foi que eu descobri o motivo da data. Escolha em homenagem a história das irmãs dominicanas.
No dia 25 de novembro de 1960 elas foram cruelmente assassinadas devida oposição a ditadura de Rafael Leónidas Trujilo.
Lembro-me de assistir o filme No tempo das Borboletas, quando adolescente, e me encantar com a história. Cenas imemoráveis de um homem no telhado com uma borboleta entalhada em madeira (acredito que era de madeira ou outro material resistente), ele ruflava aquela borboleta no ar. E uma das irmãs olhava a corajosa ação do homem do lado de dentro da prisão.
Como um sinal de esperança para a luta daquela militante. Fico pensando em quantas borboletas precisamos para retomarmos a esperança? Ou quantas vidas perderemos.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Me leva cavaleiro Andaluz

Cavaleiro Andaluz
Bruna Caram
Composição: Otávio Toledo/J.C.Costa Netto
Amanheceu
Um elo entre as civilizações
Um novo Aquiles rompe os grilhões
E a cidade vai conquistar
Não lembra bem
De como aprendeu a lutar
Há tanta gente no calcanhar
Um semi-deus em cada portão

Escapar
A Liberdade dá no Japão
Acrópole é outra visão
Que a Vila Olímpia não alcançou
Decifrar
Há tanta esfinge aqui de cristal
Quanto edifício nesse quintal
Que a erva-cidreira já perfumou

Como emboscar
Dianas nesses bosques que há
Os olhos de Afrodite espiar
Nas fontes desse Parque da Luz
Você zarpou
Na costa da Ligúria bateu
Cruza a Paulista e o solo europeu
Virou meu cavaleiro Andaluz

Se embrenhou
Nesses traçados do coração
Ruelas da avenida São João
Escadarão do Municipal
Surpreendeu
Quem nunca sai da Consolação
Que ao menos na imaginação Um novo mundo existe afinal


Me leva Cavaleiro Andaluz...
A paz sempre há de estar com você...


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Dia da consciência continua



Retirei o outro Post porque nem eu estava aguentando entrar no blog e a musica começando a tocar.

Pequenos Detalhes

Tem tantas coisas que se aprende na vida, na cor, no orgulho de uma cultura que não conseguimos achar no google, no youtube...
São pequenos detalhes numa roda de ciranda, numa dança da cobocla, num hino dos Navios Negreiros. No jogo de capoeira, na brincadeira de um samba, no orgulho dos nossos guerreiros de armas e letras.
Estes pequenos detalhes que são da infância e dos tambores cadenciados afinados com os corações. São tramas tão pequenas, mas que tecem minha vida, minha história, minha forma colorida de me sentir humana.
Ana Laura

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Documentário Olhos Azuis. Sinta a violência e tire suas conclusões

O Documentário Olhos Azuis, antigo (nem me pergunte agora), apresenta um workshop na qual as pessoas de olhos azuis são tratadas rudemente. São humilhadas, separadas, desvalorizada, manipuladas e todo o tipo de violência que diariamente um afrodescendente sofre. Eu coloquei só um vídeo que tem no youtube, mas vale assistir todos. Muito.

Por que disso agora? O documentário é tão antigo que quase todos já assistiram!

Só que eu precisei dele para entender, ou pelo menos me iludir, que a minha pós graduação está fazendo a mesma coisa comigo.

Quero acreditar que estou sendo humilhada, desvalorizada, me sentindo sozinha ao lado de uma pós virtual e muito, muito manipulada por motivo maior. Uma pós sobre Violência Doméstica contra Criança e Adolescente que trata os alunos com tamanha violência deseja, tão somente, que vivenciamos o que as crianças e adolescentes vivem quando estão sendo vitimizados.

É isso. Só Pode.

Mas... Eu não quero mais brincar disso. Estou mais que triste, mais que violentada...aprendi a lição. Vai Doutora-Vilentadora-Professora-da-não-violência me ensina a ser humana!

Ana Laura, por favor não me acordem!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um minuto de samba...

ROBERTA SÁ, SAMDA DE AMOR E ÓDIO

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sobre Política e Jardinagem - Rubem Alves


De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer chamado. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’. No lugar desse ‘fazer’ o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.

‘Política’ vem de polis, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade.

Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades: sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oases. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’, ele nos responderia, ‘a arte da jardinagem aplicada às coisas públicas’.

O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se à sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.

Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade. A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.

Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.

Todas as vocações podem ser transformadas em profissões O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumente o deserto e o sofrimento.

Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a profissão política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, perguntado por Günter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: ‘Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade... Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem.’ Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de serem confundidos com gigolôs e de terem de conviver com gigolôs.

Escrevo para vocês, jovens, para seduzi-los à vocação política. Talvez haja jardineiros adormecidos dentro de vocês. A escuta da vocação é difícil, porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais, medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas, legítimas, se forem vocação. Mas todas elas afunilantes: vão colocá-los num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar dos destinos do jardim?

Acabamos de celebrar os 500 anos do descobrimento do Brasil. Os descobridores, ao chegar, não encontraram um jardim. Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são cruéis e insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte da natureza ainda não tocada pela mão do homem. Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros. Eram lenhadores e madeireiros. E foi assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim para a felicidade de todos, foi sendo transformada em desertos salpicados de luxuriantes jardins privados onde uns poucos encontram vida e prazer.

Há descobrimentos de origens. Mais belos são os descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino. Então, ao invés de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim para todos, obra de homens que tiveram o amor e a paciência de plantar árvores à cuja sombra nunca se assentariam. (Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 19/05/2000.)
Ana Laura. Para Marcel.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Primavera fez morada! (fotos)






Hoje resolvi fotografar um pouquinho da Primavera que fez morada em casa!
Ana Laura