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domingo, 31 de julho de 2011

E vou passar agosto esperando setembro


A Pandora abre sua caixa e joga Agosto para fora entre agouros acendo minha vela canto baixinho minhas rezas tomo meu floral não esqueço o ferro ligado e nem o gás sigo a risca as regras amo com cautela deixo a janela entreaberta e nem respingo de chuva me atrevo a tomar bebo sobre orientação médica como e gasto à la francisco banho só com ervas conversas se forem banais trabalho sem pressa e sobre a escrivaninha os livros pra ler as músicas para ouvir os textos que saem assim só de espera fico vivendo agosto passar esvaindo aquelas magoas esquecendo suas falas não esperando aquele convite dormindo mais do que é suficiente caminhando como estrela sem hora para além da madrugada e numa cadência vivendo setembro chegar
Ana Laura

domingo, 7 de março de 2010

A Arte de amar o desconhecido..


Me lembro que desde pequena não entendia muito bem porque meu tio era diferente dos outros, mas gostava daquele jeito especial dele, muitas vezes brincando com nós as crianças, por outras cuidando, olhando e sempre sorrindo. Fui crescendo e vendo que sua vida por muitas vezes era mais dificil que dos demais, fui vendo suas limitações, aprendendo que sempre teria que ter uma pessoa ao seu lado e que quando algo não ia bem era para os braços da minha avó que ele corria, assim como uma criança assustada. Eu não tinha responsabilidades com ele já que vovó sempre estava lá, mas ela partiu assim suave e serena sabendo que ele estaria em boas mãos. Me lembro que estavamos eu, minha prima e ele no carro indo para o cemitério, nós duas tentando se manter calmas e não chorar, mas ele num lapso de consciência caiu num choro e se viu sem os pais e chorava feito criança, ali eu sabia que tinha um compromisso de amor e cuidado com esse ser frágil por fora mas forte por dentro. O tempo correu e hoje mais do que nunca onde ele se encontra mais fragilizado com o corpo pedindo por descanso eu sei que são poucos os que tem paciência e amor. E eu não sei se vou conseguir, mas estou tentando e aqui me encontro sem conseguir dormir por que tenho medo de deixá-lo partir sozinho. E de hora em hora vou lá zelar por seu sono, e pedir a Deus que seja apenas mais um susto. Eu preciso do seu sorriso pois com ele fica mais fácil e o que eu mais admiro nos seres especiais é que mesmo com dor, mesmo com suas limitações, pré-conceitos e muitas vezes humilhações eles ainda conseguem viver com um sorriso estampado na face. E eu ainda preciso tio do seu sorriso do meu lado, e enquanto eu tiver forças vou lutar pelo seu bem estar sempre...


Tati. Buscando não sei aonde uma estrutura para continuar...

terça-feira, 2 de março de 2010

O tempo me mostrou que os erros são essenciais para o crescimento humano, me fez enxergar que a minha dor é apenas igual ao do outro e nunca maior, que a dor passa, a saudade aumenta, o riso é gostoso, o caminhar é lento, que andar de mãos dadas é compartilhar tudo o que se sente, que as pessoas que passam pela minha vida me ensinam algo mesmo que pequeno, que a distância não mata a amizade, pelo contrário a faz mais forte. Aprendi também que a família é a base mesmo com todos os seus defeitos, que o trabalho é primordial, que a diversão é necessária e que nunca se é tarde para aprender algo. O tempo me mostrou que a cada minuto ele passa mais rápido, que as estações estão mais pertos e que se eu não abrir meus olhos muitas terão passado sem ao menos eu perceber. Ele me mostrou também que posso sim cair e levantar com a cabeça erguida, que sempre terei alguém para me estender a mão e que a solidão que eu penso sentir é apenas a saudade de um lugar que minha alma sente e que eu penso ser daqui. O tempo soprou no meu ouvido que a gentileza devia ser lei, mas lei natural daquelas que todos precisam cumprir como beber água ao sentir sede, que palavras deveriam apenas ser usadas para o bem e ele me disse que a educação é algo tão belo que um dia será extinto. A sabedoria passará a ser coisa rara e as pessoas irão se estranhar ainda mais, e ele me lembrou que a natureza pede por socorro urgentemente, que muitos sabem disso e nada fazem que estamos matando cada dia mais e mais. Me senti uma pessoa tão ruim depois dessa conversa que aprendi que o tempo é o meu professor particular e que cabe apenas a nós mesmo aproveitar esse momentos em que ele nos mostra a realidade e tentar mudar e tentar ajudar e tentar salvar o nosso mundo, não o meu mundinho particular, mas o mundo em que eu e os meus vivem, o mundo em nós e os nossos vivem e viverão se conseguirmos fazê-lo sobreviver.




Tatiane R. Em uma das muitas noites de insônia.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Pequeno recado de um amigo

Querida. Quantas novidades. Saia desta rotina como quem buscasse discoteca, barulho e luzes. Saia para cair numa guerra maior, na qual sua participação é tão importante. Tenha passos grandes em cidade de gigantes e passos humildes toda vez que precisar de um amigo, estou aqui, afinal. Tenha seu espaço para os dias de tempestades, uma planta para cuidar sempre, um livro para não enlouquecer, uma trilha sonora para abafar o silêncio e um abraço para se recostar. Ame, sim, ame mesmo.

Vão haver dias em que o tédio realmente tem o T bem grande. Outros que os dias passarão como água no ralo. Por isso, marque se no tempo, no espaço e nos corações. É o único jeito de lembrarmos que estamos vivos e pulsando.

Beijos, é meu pequeno recado para você.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Minha Mala e eu.


Minha mala vai cheia de pequenas esperanças, de um tanto de roupa e outro de vivido. Minha mala vai onde eu a carrego, mas seu símbolo foi o que sempre me carregou. Sou cidadã do mundo, primeira vez que disse: a frase se expandiu na sala e se afincou no peito. Sou cidadã do mundo, SIM.
Minha mala vai assim calada e, como dizem, se soubesse falar diria dos lugares que me carregou pela mão.
Em pequenos passos Roma parece muito próxima, mas a ousadia não é tanto. Vou, fico, me encanto, me estresso, saio e tudo com sua validade. Deixo um pouco de poeira e outro de amigos. Agenda lotada para emeios e cartões de Natais. Desculpe, tê-los esquecidos.
Minha mala vai assim, cheia de lembranças. Mas um mapa enorme de possibilidades. Avante, sempre.


Ana Laura. Minhas raízes se desenvolvem no ar.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

As mulheres da minha família

As mulheres da minha família se recortam em pedaços e em colcha transformam-se em mim. Das que viveram na minha história e me marcaram com um sobrenome tamanho. Tenho uns signos e encantos que carrego como tesouros, são risadas e tiques, dos gostos herdados e joelhos tão redondos.
São Amanda e Josefa sedutoras quanto poesia. As vaidades em pequenos detalhes de unhas pintadas de vermelho, em frases sobre o sexo e nos olhares perdidos na multidão. Amores são assuntos prediletos. Decotes, vestidos e rendas. Passionais como perfumes doces. São de adeus e boas vindas, paz e guerra. Sorrisos Altos. Beijos jogados ao vento.
Tem Severina e Luzia calmas, brandas e sofridas. Um pouco de Deus no canto da vida e muito de amor pelos filhos. Flores, crochê, chás, alecrim e erva cidreira. Como não amá-las? Limites fortes e horizontes pequenos, coisas de jardim ou paraíso privado. Mas quando lá se fixa, se fica, se em paz...como cama quente em dia de chuva.
E fica assim um pouco delas em tudo. Um tanto de silêncio em boca vermelha. Outro de acolhida em despedidas. Armário embolorado com roupas novas. Da malicia serena, de jardins públicos, dos traçados das pernas, das delicias e dores herdadas. Meu livro está assim, recortado em sinestesias e escrito a dez mãos.
Rocha, Ana Laura.

domingo, 31 de janeiro de 2010



Troquei os lençóis, desliguei o som, mudei a roupa e saí assim descabelada sem me importar com terceiros, fui a procura de um café forte, sentei ai mesa e percebi que os passos que sempre dei na minha vida foram para trás. E quantas vezes perdi a direção, quantas vezes fiquei só olhando os carros na contramão. Por quanto tempo congelei a minha história enquanto os anos passavam para todos, não vi o tempo passar, não colecionei amores, sentimentos, paixões por medo. Sempre escolhi demais e acaba ficando só, sempre me achei a rejeitada, mas hoje sei que apenas eu me coloquei de lado. Não sei se ainda dá tempo de mudar a minha história, acho que sim e espero muito que sim. Mas pelo menos hoje sei que os culpados estão dentro de mim e amanhã quero matar um por um sem culpa, sem medo ou algo assim.

Taty, amanhã será um novo dia...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

DIAS DE CHUVAS


Este começo de ano está me saindo um ótimo momento para o recolhimento e reflexão. Demite-me e busco outro emprego, para ser sincera procuro um espaço no mundo, um espaço onde possa ter um pouco de tudo que gosto. Estou entrando com um processo trabalhista e tentando me manter sã com tudo isto.
Minhas mãos estão quase sempre sujas de terra pelas plantinhas que cuido toda manhã. Meus pés e pernas doloridos pelo meu forçoso treino de corrida... “eu quero correr”.
Já dou sinais de emagrecimento rápido devido a falta de apetite que os problemas me trazem. Mas me sinto feliz em sentir-me mais leve e leve.
Um livro sempre está na bolsa, um letárgico que insisto em entender! Está acabando e logo puxo mais um da pilha que se formou na estante.
E no final de tudo, aqui na minha região, chove dias intermináveis. Acordo a noite acreditando que a barragem estourou ou que o prédio está alagando. Minha alma está inundada no barulho desta chuva, me sinto encharcada deste silêncio. Mas é bom, agora posso remendar alguns buracos que o barulho não me permitia.
Eu vou à luta!


Ana Laura. Clarice faz mais sentido agora:


Um dia em que todo meu movimento será criação,
nascimento, eu romperei todos os nãos que existem
dentro de mim, provarei a mim mesma que nada
há a temer, que tudo o que eu for será sempre
onde haja uma mulher com meu princípio,
erguerei dentro de mim o que sou um dia.

sábado, 23 de janeiro de 2010


Ao caminhar a beira mar me lembrei do que uma amiga me disse há um tempo atrás. De que o mar nos aproxima de quem amamos. Sentei na areia enquanto as ondas molhavam meus pés, o sol ia se pondo e lá no horizonte vi meus amores. Senti todos aqueles que amei e que por algum motivo se foram. Senti o vento no meu rosto como se fosse um beijo delicado, a brisa que envolvia meu corpo com um abraço de saudade, a lágrima que teimou em cair da alegria de sentir, da saudade que ameniza, das vidas que lembrei. E quanto mais o mar se aproximava, mais amores eu recordava, lembrei dos amigos que por algum motivo o tempo nos afastou, lembrei das conversas de madrugada, lembrei do olhar da cor do céu que me acalmava, da mão que sempre me estendia, ali abri a caixinha do meu tempo, ali eu senti a solidão se pondo com o sol, ali eu percebi que o maior tesouro que tenho são as minhas lembranças do tempo que foi vivido.


Tati, preciso mais do mar do que se pode imaginar.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Se joga \0/ Coragem, Coração \0/ Que venha 2010!

Oh meu querido amigo
conte comigo e
com a minha força
pra que se finalize
a sua crise
como eu, nao há quem torça

Sem dúvida nenhuma
é cada uma
que as vezes a gente engolemesmo com essa porra
cara, nao corra
eu sei que nao tá mole

Tá duro mas enfrente
e siga em frente
que do seu lado eu sigo
e antes que um vento assopre
diga a si próprio, meu amigo
coragem,coração

Se joga
como corações se jogam
entao se liga só no slogan
coragem, coração
se joga
que eu te dou a minha mão

Enquanto alguem no chão
se droga,
coragem, meu irmão
se joga

Respire fundo
como um iogue
saia pro mundo
caia no blog
na batida da vida
se jogue

Na falta de esperança
auto confiança e de
auto controle
vou ser o solidário ser que o ampare
o ser que vai comparecer

e antes que um vento assopre
diga a si próprio, meu amigo
coragem,coração


Coragem, Coração
Ney Matogrosso
Composição: Cláudio Monjope/Carlos Rennó

sábado, 19 de dezembro de 2009

Um feliz 2010 cheio de incertezas.



Promessas! 2010... Tudo tão incerto, tudo novo novamente, planos, listas, promessas! E nada a cumprir, sempre foi assim. Odeio esse clima natalino, detesto essa esperança que bate em meu ser todo final de ano e só fica no sentimento e na lembrança da alma perdida. Sou assim previsível, sou assim um misto de incerteza e mais nada. Queria um final de ano diferente, queria realmente poder acreditar nesse espírito natalino que desce em quase todos os seres da face da terra, mas não! Acredito numa falsidade, acredito que se for para ser bom que seja o ano todo. Dezembro me deixa depressiva, me traz lembranças que não sei explicar, mas sei sentir, e sinto tão forte dentro do meu coração que aqui estou eu tentando extravasar de alguma forma. Uma taça de vinho, sábado à noite a rua cheia e eu novamente no meu quarto. Esse não seria o programa ideal, essa não seria eu alguns anos atrás. Mas a vida muda, as pessoas mudam, amigos se vão, outros mudam a rotina, e eu? Igual. Mas dezembro, mas as promessas, as listas não cumpridas, tudo isso mexeu comigo e nesse dezembro estarei mais só do que nunca, estarei a ficar entre trabalho, leituras, música, cama, notebook e só. O que me falta? Amigos, amores, paixão! O que me resta? A solidão talvez.

Taty, voltando a escrever, ou pelo menos tentando.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Bem que minha mãe disse: não brinque com água oxigenada!

Nesta época de ano, as pessoas ficam agitadas e realizam toda e qualquer loucura para ver a vida mudada. Afinal, as músicas natalinas cobram eficácia e eficiência do ano, mexendo com o subconsciente e dizendo as massas: “Então é Natal, o que você fez? O ano termina e começa outra vez!”
Então neste final de dezembro vale começar um regime natalino, virar esportista de fim de ano, assistir filme como louco, telefonar a todos os esquecidos, fazer novas dividas e até mudar o look e começar o ano com uma aparência diferente.
Ana Laura, não seria diferente. Em um salão empreende a derradeira tentativa de se sentir bem com o visual, afinal a balança este ano não mudou de posição, adora as comidas natalinas, o que garante nenhum regime e esporte fica adiado, pós-carnaval.
Entra no salão e pede mechas californianas. Sai do salão se achando surreal e desejando que sua impressão de total fracasso esteja errada. Mas como encarar uma reunião com amigos, desta forma? Pensa como o comprometimento pode ser uma faca de dois gumes. Suspira fundo, firma o pé e decide assumir seu novo look.
Chega atrasada. Todos se voltam a ela. Quantos olhos de piedade!
Aí, para... Estes olhares não é pra mim, é o diferente que choca, se acostumem com a nova Ana Laura!
-Que diferente seu cabelo, nossa, parece cachinhos dourados! A única pessoa que resolveu tocar no assunto.
AH! Sim...aquela menina atrevida e destemida que invade a casa de ursos malvados, come a comida deles, quebra a mobília, tira uma soneca e ainda fala para o Urso alfa. - Qualé, o que tá olhando? Nunca viu uma menina com cachos dourados? Mechas Californianas? É melhor não encarar, por que se não, nem Greenpeace te safa!
Até a rodoviária, Deus na sua bondade, ajuda Ana Laura ver a realidade. Lufadas de vento, chuva e umidade, faz com que a ilusão seja “naturalmente” destruída. Chegando em casa, no banheiro, na frente do espelho e então, ela diz:
-Espelho, Espelho meu. Diz que você colou a foto do Supla aí!?!?
O terror foi instaurado. Ana Laura recorre ao telefone e pede ajuda:
- Amanda, você não vai acreditar.
- Ai, meu Deus. Diga...
- Fiz mechas californianas!
- Sériooooo, que Mara!!! Como ficou?
- Você conhece aquele cara Piu Piu que o Gugu tirou da rua?
Do outro lado, uma gargalhada. Não tinha como não rir de tudo aquilo, histeria seria pouco!
- Você está brincando comigo! Daquela cor? Gente, mas a cabeleireira pintou, descoloriu... A conversa foi voltada para técnicas ocultas da cabeleireira e de como enganar uma cliente despreparada e carente.
Com tanto medo da consciência gritando sobre a Ditadura da Beleza que somente as 3 horas da manhã Ana Laura consegui dormir! Pesadelo
que durou até o meio dia, quando a natureza voltou aos seus padrões normais e uma tinta, mara da cor chocolate, tingiu até o céu de alegria!
Ana Laura, pós-trauma, se recupera com bastante humor. Quem nunca brincou com água oxigenada que atire a primeira pedra! Hoje a família se arrepende de não ter tirado uma foto para enfeitar a árvore de Natal. Mas deseja fazer das festas de final de ano algo realmente diferente: entregar a Ana Laura o troféu: Rainha dos Micos.
Dos Micos Leões Dourados!
Ana Laura. Só duas pretas ficam realmente lindas loiras: Beyonce e Sandra de Sá!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Re-fazendo as malas.


Engraçado como estes dias tenho pensado no processo de fazer as malas no final da faculdade. Foi bastante doloroso, pois doei (troquei, vendi) quase todas as roupas, livros, CDs, cacarecos, móveis (poucos), eletros domésticos e outras coisitas. Muitos ficaram no caminho...sem arrependimentos. Vendia os livros na faculdade por R$4,00..dava os CDs para quem achava que gostaria, as roupas minhas de cama e banho foram para Santa Catarina e outras coisas foram se tornando em presentes, trocados e escambo.
Muitos amigos têm um cacareco da Ana Laura! Um pedaço de mim? Talvez.
E neste quase um ano percebo que o processo de deixar continua acontecendo e de repente você se vê permitindo outros amigos, outras histórias, outras re-leituras. Mesmo com a saudade batendo na porta, mas já não há tanta angustia, não há tanta dor...o ultimo ano de faculdade doeu muito, mesmo. E agora, fica só o carinho, alguns eventos bons e a certeza que a melhor fase passou, mas que outras tão melhores quantas virão!

Continuo re-fazendo as minhas malas e deixando para trás tudo que já não tem sentido, utilidade ou mesmo espaço na minha vida. Prefiro, depois de tudo, viver, ter e guardar o que vale, realmente, a pena!
Ana Laura

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ai, que saudade D'ocê!

Feliz aniversário Tate.




É o Que Me Interessa Lenine

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.
Amo-te!

sábado, 5 de setembro de 2009

Momento Aleatório

SÓ FUI ASSISTIR AGORA
O filme O oitavo dia, com a direção de Jaco Von Dormael, lançado em 1996, é realmente estupendo. George tem síndrome de down e resolve fugir do lar, que o abrigava, para encontrar sua mãe. No caminho ele conhece Harry, lunático pelo emprego, separado, desgraçado, longe dos filhos, urucubaca mesmo. Bom, enfim, entre muitas coisas, o que se aprende é o valor da amizade e as diferenças que nos tornam iguais. O que eu gostei foi a singeleza do filme, da abordagem sobre a vida de pessoas com deficiência, como sentem e se relacionam. Adorei a parte que Harry fala para o policial: Ele é meio deficiente.

Fiquei pensando nos eufemismos patéticos da vida contemporânea, tão usados para encobrir nossos constrangimentos com a realidade.

LENDO SOBRE VIOLÊNCIA
O livro Abuso Sexual, pornografia – A infância é a última fronteira da violência da autora Carla Leirner. Excelente para quem adoraaaaaaaaa internet, orkut, msn, sala de bate papo. Ainda temos que repensar eticamente como usamos este meio de comunicação, como estão sendo usados e quem são as vítimas dos crimes na internet. Claro, que o livro trata, principalmente, do perfil brasileiro dos pedófilos e qual o meio mais rápido de encontrarem sua vítima. O site predileto, advinha...o orkut. Pois é, assunto para outro dia.

CONFESSO
Estava lendo um livro romântico... afff....sem comentários e não vou divulgar o nome do livro. Que vergonha jesus, que vergonha...não porque ser romântico, mas o livro é ruim mesmo, isto não nego. Mas confesso que adoro cavalheirismo, homens protetores, que abrem a porta, atenciosos, mandam flores, dizem eu te amo e ainda discutem relacionamento....aí, jesus, será que estou querendo demais?

ÓCIO CRIATIVO
Ultimamente tenho pensado em fazer meu Epitáfio contendo o nome e o motivo de todos que gostaria que Tomassem no Cú! Não é um momento de ódio não, é um momento de libertação, acredito piamente que quando você encontra o balde certo, no momento certo, você deve chutá-lo!

PRECISO DE UM FÍGADO
A ansiedade corroeu o meu. Quero logo a primavera e parem de derreter o mundo e esfriar minha vida! As flores já estão aí, os Ipês derramados no chão, as raízes das minhas orquídeas transbordando nos vasos. CHEGAAAA...quero mesmo é sol e calor!



Ana Laura, lutando contra a rotina, o mofo e o frio

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Ultimamente

Ultimamente tenho estado bastante ocupada com os imperativos do início de uma carreira profissional. Àqueles tantos que você pensa:
Por que eu estou fazendo isto?
Estão comprando a minha alma? Será que ela está cara?
Onde eu enfio este cabo? (sim, eu tinha uma boa idéia!)
Onde você está querendo chegar?
Mas o que mesmo uma assistente social faz?
Gente, cadê a ética?
Será que isto me compromete?
Preciso arranjar outro emprego?
Vamos fazer um projeto?
Como é mesmo aquelas formulas no Excel?
Tem formula de tabela no Word?
Por que não quebro este computador????
Alô, alô, alô..você está me ouvindo??
Por que não quebro o telefone também?
Dá para me pagar?
Dá para ser mais humano?
Dá para entender?
Dá para parar de me encher?
Que hora vamos fazer algo?
?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????
??????????????????????????????????? Pára a palhaçada, já estamos no final de semana?

Ana Laura

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Recadinho pessoal


Queria que soubesse que recomeçar é difícil, mas eu estou indo bem apesar de tudo. Soubesse que penso em te convidar a passear por aqui, mas tenho medo. Queria também que escutasse àquelas nossas musicas sem tantas mágoas. E que dividisse seus novos gostos musicais comigo. Soubesse que as Cafeterias seriam um bom espaço que faltou naquela época. E que o novo cobra a sua avaliação. Soubesse que comprei um livro de poesia e recuperei tantos livros que deixei por aí. E que tenho ido bem com a família e que os sonhos continuam os mesmos. Espero que saiba, só isto, que ainda escuto sua risada.

Ana Laura

domingo, 9 de agosto de 2009

Expressões excluídas da minha agenda revolucionária

Existem expressões que me inquietam bastante, apesar do costume em continuar reproduzindo-as. Sabe àquelas manias que deveriam ser diariamente vigiadas, pois então.
Eu odeio as expressões “Eu faço a minha parte” e “Seu direito começa quando termina o meu”. Estas frases estão bastante enraizadas no cotidiano, acho que por elas terem uma aparência de ética é que as pessoas a utilizam como justificativas. Poxa, mas será que ninguém percebeu o individualismo nisto tudo.
Fazer a parte... a minha parte...a parte que me cabe na consciência? A parte formalmente exigida? A parte que me faria dormir dia e noite na tranqüilidade? Não sei, porque quando penso no mundo do jeito que está não consigo ver a minha parte, não consigo ver como a minha pequena parte mudaria algo e me faria um ser sereno. Claro, e você me dirá: se cada um fizer a sua parte. Sim, mas será que somos cada, será que somos um, será que temos força sozinho? Será se eu fizer a minha parte, alguém vai fazer a dele e sucessivamente terá uma brincadeira de tombar os dominós?
E quando devo cobrar alguém que não está fazendo a parte dele? Como devo cobrar? A minha parte é minha ou ressoa em direitos coletivos...então, se exprime a parte de todos, porque não a expressão
Vamos fazer a parte para todos, com todos e por todos....
Muitos vão dizer que a transformação acontece de dentro para fora. Claro, não posso menosprezar a formação de um ser transformado para que imprima na realidade a transformação. Seria ridícula.
Mas a idéia que sozinhos conseguimos mudar realidades é a mesma idéia que demonstra que cada um deva buscar pelo seu direito. Um dia na história o Egoísmo foi exaltado para que houvesse a justiça social, se cada um buscar seus direitos logo não haveriam pessoas infelizes, porque todos buscariam e manteriam os direitos que eram do seu interesse. Cada um mantendo o seu direito, todos os manteriam, ora, era interesse de cada a conquista do direito. Ninguém pensou que para buscar os direitos, de forma individualizada, todos teriam que estar no mesmo patamar social, cultural, econômico, de respeito e por assim vai. Claro, que no Capitalismo a igualdade e liberdade são condições humanas respeitadas (coff, coff,coff) (bem rasteiramente a ideologia que permeou a economia e a esfera social no começo do Liberalismo)
Esta mesma idéia transita por nós revestida com novo tom, sabe aquela música Vestir o velho com o novo. Pois é, eu sinto assim. Você continua impingindo no mundo a sua verdade, a sua prática, a sua noção de certo e errado e de transformação sem reparar que as suas ações têm que repercutir no todo, no coletivo... e como você pode ser o porta-voz desse coletivo se se acredita que sozinho você faz a diferença? Sozinho você chega no outro, com o outro você transforma.
Sem julgar o certo e o errado de nossas lutas diárias. De repente decidimos em lutar por algo e por algumas coisas sem ao menos saber que existe um coletivo, uma luta de classe, ou de segmento, de grupo ou qualquer aglomeração humana. Perde se a noção de que juntos temos força e que sozinhos somos facilmente estraçalhados.... esconderiam o nosso corpo em baixo do tapete tão facilmente!
Quando estamos sozinhos temos o direito de cometer os erros mais escabrosos. Ora, não teremos parâmetros, não haverão horizontes. Não teremos o outro!
Ninguém é uma ilha, ninguém é sozinho neste mundo e não podemos acreditar que a minha luta é um recorte na sociedade, não podemos permitir que minha voz seja um monólogo, não posso ser beija-flor com gotas de água diante do incêndio. Tudo é muito poético, metáforas lindas, mas sozinhos seremos silenciados, somos enterrados com os nossos sonhos de mundo melhor.
Reflitam: Eu faço Pós Graduação Virtual. O curso não oferece estrutura de ensino aprendizagem condizente para uma especialização. Todavia, os alunos desta pós não conseguem se unir e propor, justamente porque não se conhecem, não se vêem, não tem a sala de aula como palco político de reivindicações, mas, sim, a tela do computador fria e solitária. Isto é vantajoso para quem: para o professor que não se compromete na produção do conhecimento, na faculdade que silencia e desarticula os alunos, os consumidores diretos do "produto" que oferta. Não há muitas vantagens para o aluno.
Nós precisamos pensar no coletivo, agir com o coletivo.
Muitas pessoas se destacam neste coletivo. Seres que emprestaram a voz para que falassem uma gama de outras pessoas, mas eles não estão sozinhos, não fazem dos “pobres” e “infelizes” seu objeto de luta, mas representam a si e os outros que ficaram no anonimato. Representam uma classe que se marginalizou, da qual ele faz parte. E tem mais, precisamos desta figura política, precisamos de ídolos, precisamos dos mártires para nos retirar do marasmo... mas acreditem, eles não estavam sozinhos, talvez pensassem mais em nós do que nós mesmo. Diferente, então, pensar que faziam a parte dele tão somente!
Outro exemplo muito clássico é o Bum do Movimento de Preservação Ambiental conjuntamente com o Bum Venda créditos de carbono. Enquanto nós brasileiros estamos na luta para manter o ambiente despoluído se vende as “atitudes conscientes” como créditos de carbono para que os Estados Unidos e outros países ricos continuem poluindo o mesmo tanto que poluíam. No final, NÓS salvaremos o Planeta Terra?
Só salvaremos o Planeta quando TODAS as nações desejarem esta finalidade.
Tudo começa por um ponto de partida... o homem, a humanidade e a história... sejamos realmente dialéticos, busquemos nos encontrar na humanidade para transformar, para o combate conjunto, não solitário!
Eu tenho medo da solidão que TODAS as pessoas que conheço descrevem na sua vida, eu faço parte deste grupo. Acredito piamente que esta solidão não é só culpa nossa, ela parece ser nossa nova onda de des-pertencimento humano...quanto menos humanos, melhores objetos a serem manipulados. Pensem nisso quando diariamente forem realizar a sua parte...depois de tudo meu conselho é anuncie sua parte com o todo, permita que este todo faça da sua parte a parte coletiva de Todos os anseios.


Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,a vida presente.


Carlos Drummond de Andrade
Obs: Como o post ficou deveras longo depois continuo escrevendo sobre os limites dos direitos. Desculpem se a contrução de texto transitou pela primeira pessoa do singular e depois primeira do plural, sei que não é formal fazer isto. Escrevo para eu conseguir chegar em você, para que construamos o conhecimento pautado no nós. Ana Laura

quinta-feira, 6 de agosto de 2009


Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gostoe sim porque aprendi a ser só...


Florbela Espanca


Tati, esse poema tem me traduzido nesses ultimos tempos!!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Avós são eternos dentro de nossos corações.


Ela sempre foi meu tudo tanto meu ar quanto minha vida.
Hoje é parte da minha história, uma lembrança boa a minha música suave.
Lembro do seu cheiro, da sua risada e de como brigava comigo, de estar acordada me esperando tarde da noite, das nossas conversas, nossos sonhos de como sempre foi a flor mais bela do jardim da minha vida. Hoje estou com seu chinelo japonês, lembra?
Avós não deveriam morrer nunca, avós são pra sempre, seja aqui ou lá. Avós são alicerces de toda uma família.
Ela vive dentro de mim como um sonho bom.
Não há um dia certo para te homenagear, meu amor já diz tudo. Não há um dia certo pra te lembrar, minhas lágrimas me condenam. Não há palavras e sim um sentimento de gratidão.
Te Amarei sempre e sei que estás aqui do meu lado, sempre! Te amarei e sei que um dia estaremos juntas como sempre foi!
Obrigada por ter me dado a sua vida, por ter feito dos meus sonhos os seus.
Obrigada por ser sempre o meu mais lindo Anjo!
Conceição meu anjo 2 anos de saudades e de muita gratidão!
Que todos as vovós e vovôs sejam muitos amados sempre!!


Tati, hoje conseguindo deixar em palavras o amor que sente e sempre sentirá pela mulher forte de olhos azuis que Deus enviou para ser sua Avó!


Eu guardei algumas coisas na sua ida: seu brinco de rubi faltando um par, o broche de borboleta riscado, sua tesourinha de bordado, suas agulhas de tricô, as colchas de crochê e todos os paninhos que você pintou a mão. Guardei o sorriso da Raquel de Queiroz no teu. Alecrim amargo, mas que faz bem ao coração.
Lembro da íris desbotada e a certeza de sua partida. Eu não sou santa, mas sabia. Você sabia.
A chuva de sol que derramou naquele dia, eu era a ultima a dizer tchau.
Eu tenho estado ainda chorosa, às vezes te sonho robusta. Mesmo assim, quanta dor ainda carrego. Eu que aprendi que a vida é mais além, me ensinaram tão cedo. Só que está mais invisível agora. Aprendi a cuidar de plantas. Minha mãe se culpa pela sua ida, passa aqui e liberta ela. Liberta a nós todos.
Era a cobrar no seu aniversário, no dias das mães, no dias dos avôs. Foi ontem, parabéns. Cara de pau como sempre. Amo-te. Se quiser um dia, ainda quero te ter como minha pequena, nem sei se vou ser mãe, mas vem ficar comigo de novo.
Ana Laura