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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Releitura do Céu no Chão

Sentada no chão em companhia da caixa de giz de cera e da criatividade. Olhava de cima para baixo e de baixo para cima, o céu não transbardaria sem que a menina não visse. Sem que notasse que para transbordar o céu teria que passar por ela. Pelos olhos, cérebros, mãos e sentimentos.
Sim, ela fazia a sua releitura do céu no chão. Daquele céu cor de abóbora e nuvens pastéis e brancas, daquele que lembrava doce e lembrava brevidade.
Fazia dos perfeitos contornos da natureza o seu contorno infantil. Vários transeuntes desviavam da menina e do seu céu.
Mas ninguém conseguia não achar graça, beleza, paz e alegria ao ver a menina debruçada no céu de um chão.
Toda calçada forrada de nuvens brancas e cor de abóbora.
Ninguém soube a intenção daquela menina.
Só sabiam que ali havia a brevidade de um céu pintado e uma menina que o fez transbordar no chão.


Está meio confuso, eu sei, mas um pouco de paz passou no meu dia agitado. Lembro-me dê um vendedor de apitos que fazia bolhas, uma menina cigana que se encantou com aquilo. Lembro de ela ter dançado embaixo do apito de bolha e de eu ter sentido a maior paz do mundo. Nunca mais me saiu da cabeça a idéia que a paz está na simplicidade das crianças em se encantar. Ou será: em nos encantar?


Ana Laura

1 Palavras conexadas:

Francimare Araújo disse...

A paz está em cada um, em cada ação, em cada olhar. Nada garante a paz senão a consciência de ser honesto, certo com os seres que te cercam...