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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Se eu pudesse hoje..seria eu de samba e cores

Universo ao meu redor

Tarde, já de manhã cedinho

Quando a nevoa toma conta da cidade
Quem pega no violão
Sou eu, sou eu
Pra cantar a novidade




Quantas lágrimas de orvalho na roseira
Todo mundo tem um canto de tristeza






Graças a Deus, um passarinho
Vem me acompanhar
Cantando bem baixinho
E eu já não me sinto só
Tão só, tão só
Com o universo ao meu redor
Laiá, laiá, laiá


Um dia eu conheci o cubismo, depois Tarsila, e após a cor....Um dia eu conheci Noel, conheci o samba, hoje a cadencia...


Ana Laura...imagens de Tarsila do Amaral, musica de (creio eu) Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown

sábado, 23 de maio de 2009

Prefiro pensar que me apaixonei, porque ela era, sim, apaixonante!


Nesta sexta-feira eu me apaixonei. Ela sentada num banco ao meu lado no supermercado. Tá, estes lugares não são para se sentar, mas estavamos esperando, eu a minha família, ela a sua hora. Conversamos sobre esperar, daí surgiu nosso primeiro detalhe em comum: odiamos esperar, odiamos pessoas que se atrasam e nos fazem esperar. Acredito até que ainda vou ser mais paciente, mas ela já não acredita que possa mudar, não suporta agora e não suportará amanhã.
E dai as afinidades foram acontecendo...ela adora artesanatos, dança de salão, caminhadas, frutas, doces e passear...linda, com olhos verdes-àgua e pontinhos pretos nadando neles.
Contou-me do aniversário, da vida, dos filhos e dois maridos. Agora ela é sozinha, não que o goste, busca amigos e companhias. Como não se apaixonar?
Falou me da petulância de antes em entrar nos cafés quando mulher não era considerada ser humano e a de agora em viajar sozinha e ficar fora o dia todo! Coragem, seria a companheira certa pra ela. De como a casaram com 17 anos e de como todas as perdas fizeram parte de sua felicidade. E, olha, ela perdeu muito, para ser sincera, tudo e todos...como ela disse: - Não se faz planos para morar num abrigo, simplesmente acontece.
Me disse que pra ser feliz era preciso pensar em si, fazer o que gosta e não se importar com pequenas coisas. Ela é sabia.
Eu lhe prometi visitar e levá-la para almoçar. Até gostaria de falar que ela me lembra minha avó e que meu carinho é mera caridade para com um idoso abandonado. Bom, piegas de mais para mim, para ela, para nós! Prefiro pensar que me apaixonei, porque ela era, sim, apaixonante!


Ana Laura, eu conheci Cornélia com seus 80 anos!

domingo, 17 de maio de 2009

Marcas de um coração.


Eu não sou escritora nem um dia almejo ser.
O que faço é traduzir em palavras os sentimentos que brotam da minha alma.
Ser alegre, ou ter dias tristes, tanto chorar como sorrir.
E o que meu coração me diz com as letras brinco de me traduzir
Desculpe-me se a tristeza muitas vezes parece me perseguir,
É que dela tento me desfazer, e tentando vou arrancando do meu peito e a eternizando nos dias em que brinco de escrever..
Não é uma escolha muito menos preferência é que os dias de alegrias trago comigo marcado no meu ser.
Tatiane, sem mais palavras...


quarta-feira, 13 de maio de 2009

Um sorriso e nada mais.

Ele chegou frágil, bem mais que os outros
Os olhares tortos, totalmente horrorizados pela tal aparência.
Ela apenas sorriu e uma lágrima derramou;
E a cada ano uma descoberta lenta mas singela.
E ela sorria mais ainda, sem se importar com os comentários.
Ele não podia partir, ela o queria ali como os outros.
O tempo passou, o amor cresceu, a família entendeu.
Os anos correram, outros foram chegando totalmente perfeitos, e porque ele?
Ah! Ele é especial, só ele aguentaria...
O amor maternal se foi, partiu sem mais explicações.
Ele ficou! O que será dele? Quem irá cuidar? Perguntas apenas....
Na sua casa permanceu, no seu lar interno ela está lá e assim ele vive.
Especialmente sorrindo, especialmente vivendo...
Uma pessoa amada, uma pessoa que conquistou seu espaço mesmo com suas limitações.
E na sua frágil cabecinha todos vivem perto dele.
E ele ama, e ele cuida, e ele vive, e ele sonha com dias melhores.
E ele ainda espera o dia em que os pré-conceitos ficaram no passado de outros momentos
Eu não disse, sim ele é especial!

Tatiane, é que hoje olhei para um ser que eu amo e que é especial e que mesmo com suas limitações ele sorri todos os dias.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

MONÓLOGO: BONECA... tua vida é bem melhor que a minha!



Ah! Minha boneca!
Há tanto tempo em minha mão.
És de pano,
Não tens coração,
Mas sabes de toda a angústia,

Que povoa, ano a ano,
Meus dias de solidão.
Sou prisioneira!
És a única companheira
Na vida sem ilusão!

A boneca escuta,
Muda,
O meu lamento,
Mas nem por um momento
Entende, nem compreende
O que se passa ao seu redor

A boneca surda
não responde.
Nem dá sinal de vida!
Se ouviu o meu lamento,
Disfarça,
Finge que não vê o meu sofrimento.

Boneca cega!
Não enxergas tudo que padeço?
Esta é a vida que mereço?
Tu és simplesmente uma boneca.
Bruxa.
Cinderela ou rainha.
Surda, muda e cega,
Mas tua vida é bem melhor que a minha!

Se tens pai,
Ele, por certo, é diferente,
Porque boneco não é gente.
Assim, com certeza,
Ele te ama,
E não te leva pra cama
A guisa de carinho,
– engano ledo! –
nem te força ao segredo,
para ocultar o que se faz no ninho

Na vida de “faz de conta”,
Tudo pode acontecer:
Voar,
Ser livre
Da manhã até o anoitecer
Ser bruxa,
Cinderela ou rainha,
Qualquer coisa pra não ser criança
E ter vida dolorosa igual a minha

Meu pai,
O que fizeste com o meu viver?
Me destruíste,
Podes crer!...

Quisera ser bruxa,
Cinderela ou rainha...
Vida de “faz de conta”
É bem melhor que a minha!
Por isso eu digo, firmemente,
É melhor ser boneca
Que ser gente!
(MARISA SILVEIRA ALBERTON)
Ana Laura, desaguar em poesia, ou seria, desabar?

sábado, 2 de maio de 2009

Azul da cor do céu


Lágrimas.
Tristeza e dor.
Por quantos mais será preciso chorar?
Juventude interrompida.
Éramos Quantos?
Ficou apenas a imensidão de uma escuridão!
Sem fim! Apenas inicio e meio.
Soou como uma dor que não passa, um ritmo sem compasso.
A luz se apagou.
Quantos mais será preciso acabar assim...
Estações conturbadas, omissão!
Ah! O céu estava azul...
É só isso? Não tem mais jeito? Até quando?
A resposta vem de dentro...Jovem!

Imagem: A dança da Juventude. Pablo Picasso.
Tatiane, sem palavras mais. 02/05/2009.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Humanos somos todos nós!

Ela estava sentada ali no balanço com os livros nas mãos. Uma palavra enche a boca e mexe com a cabeça, Humanidade. Quem são os humanos, afinal, percebia que a palavra tinha muito a mostrar do que aparentava. Parecia até que ela se escorregou do livro e foi balançar a menina. Pra frente e pra trás, até endoidecer a vistas e não se entender mais nada.
Humanidade.
Pára.
Respira.
Tudo volta, até a curiosidade.
Ela se levantou e foi correndo pra casa, logo de cara encontrou um bêbado deitado na rua. Ou era rua deitada por baixo do bêbado, mas a palavra novamente tomou-lhe a mente. Trocaram olhares, algo do tipo, você pode me ajudar! Não se subestima a curiosidade de uma criança com trocas veladas, caí na ponta da língua: Você sabe o que é humanidade?
-Não sei não, ora, nossa, mas é bonita, talvez seja nome de país distante, sabe: de gringo. Aquele povo branquinho e rico que se vê pela televisão. É, deve ser mesmo, lugar onde se tem muita gente rica e se vive muito bem!
-Anhhhh! Uma idéia arrastada ficou ali entre os dois.
A menina guardou a resposta. Será que era tudo isto mesmo, poxa, não havia aprendido isto na geografia do mundo ou naquela bola gigantemente azul da sala de aula. Mas eram tantos países, também tantas possibilidades. Nem esperou que o bêbado falasse mais alguma coisa, talvez a curiosidade a tenha puxado pela mão. Rumando pra casa, com as poeiras nos pés descalços.
-Mãe o que é humanidade? Agora a palavra saia estendida e ocupava todo ambiente, ela estava crescendo dentro da criança.
-Vixe, Maria, mais esta! Humani o quê? AH! deve ser alguma coisa que mulher não precisa aprender não, você devia se ocupar em me ajudar em casa, ao invés de sonhar com estas palavras neste punhado de página, vou te falando logo: A vida é dura pra mulher e livro nenhum ensina nós a suportá tudo o que vem pela frente. Tem a seca, tem a farta de comida, tem os filhos.....ss..s...e dor de parto...e...e...nunca sonhar.
A menina pensou, pensou. O discurso é antigo! Sim, não havia mais tanta mágoa, só discurso correndo pra fora do barraco de tapera e se estatelando junto a paisagem seca, escutou a mãe até o fim. Voltou a pensar no bêbado, preferiu a idéia de país, de um punhado de gente vivendo igual e bem. AH! quem era que cantava sobre um bêbado e uma esperança ou era um equilibrista? Enquanto isto suas mãos pequenas já se pegava nos serviços domésticos para aliviar a dureza da mãe, suas idéias vagavam entre varrer direito e esta bendita humanidade.
Entre os últimos afazeres: colocar a mesa para o jantar, então, a mãe solta arrependida.
- Que tal perguntar para seu pai, se é tão importante! Você é uma boa menina.
Sim, ela era. Desde que nasceu, boa em tudo, na escola, na casa e seus afazeres, na rudeza da vida em uma cidade pequena e árida, no silêncio. Sim, o sol iluminou o rosto num sorriso. Ele saberia, sim, o seu pai, ele saberia.
Logo que chegou, o sol se incendiou na boca e correu pra abraçar o pai... Pai, o que é humanidade?
- Nossa, você me pegou. Onde leu isto! Ave Maria! Fala a frase toda pra eu entender?
Foi um pulo entre pegar o livro, encontrar a página e mostrar a frase:
- A humanidade foi obtendo o fogo, a roda, a lança, aprendeu a caçar, a pescar e plantar, assim sobreviveu.
- Olha aí filha, fácil. É quando temos um tantinho de coisa pra nos ajudar a viver. Pra num passar tanta necessidade. Nós somos humanos quando temos tudo isto.
- Mas alguém dá tudo isto pra nós, os gringos dão, porque no país da humanidade os gringos vivem bem, eles já estão humanos!
O pai olhou pra menina cheia de vida na sua frente. Com tanta idéia na cabeça que mal conseguia perceber o movimento do pulmão daquela criança, tudo sai assim, num fôlego.
- Eita, mi-nha filha! Mas acho que humanos somos todos nós. Só não sei te dizer quem nos dará a parte da humanidade que nos ajuda a viver! Mas pra que se apoquentar por isto...bôra comer.
A menina olhou pro pai, pra mãe (que nem sequer tinha ouvido a sua resposta, os cuidados com a casa era uma companhia ciumenta), lembrou do bêbado e do país de gringos. Olhou pra si, pra sua vida, pra vida de todos. Escolheu a esperança como irmã gemea da humanidade. Ela vem, sim...pensou. Como era boa esta menina!


Ana Laura, hoje estava pensando o que nos torna humanos e porque isto me intriga tanto!
Não sei de onde vem esta imagem, meu amigo google foi indiferente às minhas suplicas.