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sábado, 23 de maio de 2009

Prefiro pensar que me apaixonei, porque ela era, sim, apaixonante!


Nesta sexta-feira eu me apaixonei. Ela sentada num banco ao meu lado no supermercado. Tá, estes lugares não são para se sentar, mas estavamos esperando, eu a minha família, ela a sua hora. Conversamos sobre esperar, daí surgiu nosso primeiro detalhe em comum: odiamos esperar, odiamos pessoas que se atrasam e nos fazem esperar. Acredito até que ainda vou ser mais paciente, mas ela já não acredita que possa mudar, não suporta agora e não suportará amanhã.
E dai as afinidades foram acontecendo...ela adora artesanatos, dança de salão, caminhadas, frutas, doces e passear...linda, com olhos verdes-àgua e pontinhos pretos nadando neles.
Contou-me do aniversário, da vida, dos filhos e dois maridos. Agora ela é sozinha, não que o goste, busca amigos e companhias. Como não se apaixonar?
Falou me da petulância de antes em entrar nos cafés quando mulher não era considerada ser humano e a de agora em viajar sozinha e ficar fora o dia todo! Coragem, seria a companheira certa pra ela. De como a casaram com 17 anos e de como todas as perdas fizeram parte de sua felicidade. E, olha, ela perdeu muito, para ser sincera, tudo e todos...como ela disse: - Não se faz planos para morar num abrigo, simplesmente acontece.
Me disse que pra ser feliz era preciso pensar em si, fazer o que gosta e não se importar com pequenas coisas. Ela é sabia.
Eu lhe prometi visitar e levá-la para almoçar. Até gostaria de falar que ela me lembra minha avó e que meu carinho é mera caridade para com um idoso abandonado. Bom, piegas de mais para mim, para ela, para nós! Prefiro pensar que me apaixonei, porque ela era, sim, apaixonante!


Ana Laura, eu conheci Cornélia com seus 80 anos!

2 Palavras conexadas:

Tati. disse...

Essa é a paixão mais gratificante que existe...
É as lágrimas ainda correm da minha face e vc soube mais uma vez transformar um fato em uma obra.
Orgulho meu essa minha amiga linda...

Nícholas Fernandes Gimenes disse...

:)