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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Um minuto de reflexão!


Saiba porque o aborto deve ser permitido no Brasil from Universidade Livre Feminista on Vimeo



Ana Laura, defensora do Slutwalk, do feminismo e da minha sexualidade. Afinal, o corpo é meu, as regras são minhas!

quinta-feira, 18 de março de 2010

O melhor emeio da semana: Relato de uma sofredora na depilação

"Tenta sim. Vai ficar lindo".
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve.Mas acho que pentelho não pesa tanto assim.
Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa.
Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?- Virilha.- Normal ou cavada? (Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.)
- Cavada mesmo.
- Amanhã, às… Deixa eu ver…13h?
- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos,gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou acordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?
- É… é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro. (Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.)De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- Pode abrir as pernas.
- Assim?- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Arreganhada, né?
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu.
Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural. Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa “que garota estranha”. Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope.
Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.(Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo).
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
E quis matá-la. Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. “Me leva daqui, Deus, me teletranspor$ta”. Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da puta arrancar cabelinhos mais filhos da puta ainda resistentes. E quis matá-la!
Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiqueiesperando novas ordens.
- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la.
De repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente lambuzando o meu “forévis”. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento.
Pê puxou a cera.
Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha do meu cú pra contar a história.
- Vira agora do outro lado. (porra.. por que não arrancou tudo de uma vez?)Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o meu cuzinho lindo tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa merda…
- Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar?????….. eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso.
Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.
Queria comprar o domínio www.preserveasvaginaspeludas.com.br
FDP foi a mulher que inventou a “cavadinha”
Autor desconhecido

terça-feira, 9 de março de 2010

Como anda a Princesa de Conto de Fada que você se espelhava?


Cinderela. Sozinha, desiludida e bebendo.



Branca de Neve: Casada com o principe e com outros pequeninos!
Olha a cara de felicidade dela!
Eu sempre odiei a sua história. Ela só conseguiu ajuda dos anões porque virou a doméstica deles. Eu hein, nem nos Contos de Fadas tinha solidariedade!



A Bela Adormecida. Com certeza ela está fingindo sono eterno!



A Yasmim. Esta, sem comentários. Adoreiiiii



A Bela de "A Bela e a Fera". Bem ironico, não?
Pensei que ela tinha superado o padrão de beleza, já que se apaixonou pela fera!



A Chapéuzinho Vermelho. Com certeza vítima de alguma disfunção alimentar, tão comum entre as mulheres!
Mas o Lobo Mal deve adorar!


Agora. Parem de rir.
Minha referência infantil de beleza (na época eu não sabia que ela vestia uma bandeira como maio, tá): A Mulher Maravilha.
Ela não vivia nenhum Conto de Fada, ela combatia o crime, batia em homem (não que eu ache que as mulheres tenham que bater em homens. É algo simbólico).
Morena, alta e com olhos verdes....me falta quase todos os predicados!!!kkkkk
Mas olha só...depois de anos combatendo o crime a Mulher Maravilha também envelheceu, engordou e adora animais....
Tirando cigarro, ela continua Mara!




Eu recebi este emeio divertido a algum tempo. A piada parece boa, pois desconstrói as primeiras figuras, padronizadas estéticamente, que as meninas se deparam. O desejado, o esperado, o que você deve ser, o da princesa romântica de um conto de fada!
É bom perceber que envelhecemos, que nossas silhuetas são diferentes e que nem sempre a vida será Feliz para Sempre como um Conto de Fadas!


Ana Laura

segunda-feira, 8 de março de 2010

100 anos comemorando o Dia Internacional da Mulher!


Em 2010, o movimento feminista comemora 100 anos da proposição do Dia Internacional da Mulher

No ano de 1908, as mulheres socialistas dos Estados Unidos organizaram um Dia das Mulheres dedicado à luta pelo direito ao voto. Essas mulheres eram parte do movimento sindical e socialista e foram protagonistas de amplos movimentos grevistas por direitos trabalhistas. Em 1910, na II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em Copenhague, Dinamarca, Clara Zetkin propõe que, a exemplo das americanas, começasse a ser celebrado o Dia Internacional das Mulheres. Nos anos seguintes, as comemorações se espalharam pela Europa, mas ainda sem data fixa e única para todos os países, apesar de sempre fazerem referência ao direito ao voto feminino como parte da luta pela emancipação das mulheres. A data do 8 de março aparece em 1917, quando um grupo de operárias russas inicia uma greve geral contra a fome, a guerra e o czarismo, construindo um processo de lutas que deu início à revolução de fevereiro.

Associadas da ABONG no Dia Internacional da Mulher

Chega de "inhas"

Qual o elogio que uma mulher adora receber? Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos: mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais. Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação, e ela decorará o seu número. Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito, da sua aura de mistério, de como ela tem classe: ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa. Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe, que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades, que ela é um avião no mundo dos negócios. Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade, seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair? Diga que ela é muito boazinha. Descreva aí uma mulher boazinha. Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão. Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja, cuida dos sobrinhos nos finais de semana. Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor. Nunca teve um chilique. Nunca colocou os pés num show de rock. É queridinha. Pequeninha. Educadinha. Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos. Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas. Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos. A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas, crucifixo em cima da cama, tudo certinho. Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando um desejo incontrolável de virar a mesa. Quietinhas, mas inquietas. Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas. Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes, estrelas, profissionais. Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen. Ser chamada de patricinha é ofensa mortal. Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha. Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa. Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo. As boazinhas não têm defeitos. Não têm atitude. Conformam-se com a coadjuvância. PH neutro. Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções, é o pior dos desaforos. Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas, apressadas, é isso que somos hoje. Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos. As "inhas" não moram mais aqui. Foram para o espaço, sozinhas.”



Martha Medeiros

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Torna-se mulher



Uma história de prenda feminina, àquelas que são cozinhadas no fogo com cheiros tão sólidos nas narinas.
Uma que começa com uma cantiga de roda, saia cirandada e uma moça de lindo sorriso. Sorriso de rapariga que alcança os corações.
E assim escolhe, de acordo com o cordel e com a benção de um Deus. Deus que se aprende a temer, a calar e curvar.
O buquê em meio a fitas e boneca, se enfeita e se atira no ar, entregue. Enxoval feito de zelos e sonhos. Beijos dos pais na despedida, tão traiçoeiros quanto o da história.
Logo se aprende. Na rasteira dos dias a calejar as mãos e a embalar a fadiga. "Dorme querida, dorme. Preciso trabalhar".
Se re-encontra com o amor indiferente, tão árido quanto o sertão. E a secura toma conta da cama, do quarto e da beleza. Seca as veias, curva o colo e emprenha as ancas.
Então se aprende a sorrir em linha reta, a chorar sem lágrimas e olhar como janela. A segurar o chão com os olhos em dias de briga, a se esquecer de dia e morrer todas as noites.
Aprende a trançar a vida com as das outras mulheres, a re-inventa. Reaprende as pequenas músicas de meninas, as brincadeiras de rodas circulando a mão na barriga.
No fogão queima um pouco da dor . Torna-se mulher.
Ana Laura. Inspiração: Linda Rosa/Maria Gadú

sábado, 6 de fevereiro de 2010

As mulheres da minha família

As mulheres da minha família se recortam em pedaços e em colcha transformam-se em mim. Das que viveram na minha história e me marcaram com um sobrenome tamanho. Tenho uns signos e encantos que carrego como tesouros, são risadas e tiques, dos gostos herdados e joelhos tão redondos.
São Amanda e Josefa sedutoras quanto poesia. As vaidades em pequenos detalhes de unhas pintadas de vermelho, em frases sobre o sexo e nos olhares perdidos na multidão. Amores são assuntos prediletos. Decotes, vestidos e rendas. Passionais como perfumes doces. São de adeus e boas vindas, paz e guerra. Sorrisos Altos. Beijos jogados ao vento.
Tem Severina e Luzia calmas, brandas e sofridas. Um pouco de Deus no canto da vida e muito de amor pelos filhos. Flores, crochê, chás, alecrim e erva cidreira. Como não amá-las? Limites fortes e horizontes pequenos, coisas de jardim ou paraíso privado. Mas quando lá se fixa, se fica, se em paz...como cama quente em dia de chuva.
E fica assim um pouco delas em tudo. Um tanto de silêncio em boca vermelha. Outro de acolhida em despedidas. Armário embolorado com roupas novas. Da malicia serena, de jardins públicos, dos traçados das pernas, das delicias e dores herdadas. Meu livro está assim, recortado em sinestesias e escrito a dez mãos.
Rocha, Ana Laura.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

DIGRESSÃO


Todas as manhãs, sol já colocado no céu. Maria vai à praça, traçar suas pegadas em linhas circulares que chamava de trilha. Caminhada, caminhada, era o conselho do médico para a saúde. Cinco voltas eram necessárias para acreditar que o vigor, a saúde e a força voltariam. A beleza era o de menos, mas não faria nenhum mal.
Já na primeira volta ela repassava aquilo que não poderia esquecer: colocar a roupa na máquina, passar o punhado que estava na cadeira, escolher o feijão e, claro, o banho. Na segunda lembrava-se da casinha simples que viu construir e que acolheu a sua família. Lembrava então, das três lindas meninas, que agora mulheres, cada uma com um destino diferente. Um de saudade eterna, outro de professora letrada e letradora e a outra, tão parecida: casada cedo, mãe e dona de casa.
Lembrou do marido belo da juventude, da simplicidade do namoro, dos sapatos, dos vestidos domingueiros com pregas, dos sorrisos daquela época. Já estava na quarta volta e não se esqueceu da época da inocência que viveu bobo momento de se apaixonar, laços, fitas e prendas.
Na última volta já com olhos lançados no passado. Lembrou-se do ciúme paterno com o namoro e da teimosia do marido. Da dificuldade na infância, dos afazeres domésticos em suas mãos pequenas e desajeitadas. Lembrou da rudeza da mãe, do olhar triste para os filhos, dos remédios ruins de vermes e da beleza de um sertão.
O médico tinha razão, o coração ficava forte, belo e robusto no peito de Maria no final.


Ana Laura.

terça-feira, 21 de julho de 2009

No grites que los niños duermen

Malo- Musica de Bebe

Você apareceu numa noite fria
Com cheiro de cigarro e *gim
E o medo me percorria
Enquanto eu cruzava os dedos
Atrás da porta
Sua cara de jovem bonito
Se foi com o tempo
Por suas veias
E sua insegurança machista
Se reflete a cada dia em
Minhas lágrimas

Mais uma vez, não
Por favor
Que estou cansada
E não suporto o coração
Mais uma vez não amor por favor
Não grite, porque as crianças dormem
Mais uma vez, não
Por favor
Que estou cansada
E não suporto o coração
Mais uma vez não amor, por favor
Não grite, porque as crianças dormem
Vou voltar como o fogo
Vou queimar teus punhos de aço
E o vermelho das minha faces
Sairá o valor
Para cobrar as feridas

Mau, mau, mau você é
Não se magoa quem se gosta não
Tonto, tonto, tonto
Não se ache melhor que as mulheres
Mau, mau, mau você é
Não machuque a quem se gosta não
Tonto, tonto, tonto
Não se ache melhor que as mulheres
O dia é nublado quando você está
E o sol só volta quando você se vai
E o pesar do meu coração
É ter de lidar com o fogão

Meu rosto de menina bonita
Se foi, envelhecido em silêncio
Cada vez que me chama de puta
Seu cérebro se mostra menor





Estava passeando pelo youtube e fiquei curiosa para assistir algo sobre feminismo e violência contra mulher. Lembro me desta música em algum festival (antigona eu, mas não lembro o nome do evento music...blablabla). Enfim, fiquei curiosa porque a bendita música calhava nas minhas buscas e, olha, não é que tem a ver mesmo. Eu fiquei criando a historinha na cabeça e por mais que adore o movimento feminista e as nossas lutas, ainda me dói a parte que ela fala: No grites que los niños duermen.
Penso em crianças que convivem com a violência contra as suas mães. Penso no que é sentir estar na pele deles.
Apesar de tudo, poder conjugar este tipo de violência com outras tantas me faz pensar num futuro que não separaremos as pessoas em bandeiras específicas de luta. Lutaremos contra uma estrutura maior, nem contra o fenômeno violência que só é reflexo da nossa atual forma de organizar em sociedade: desigualdade, individualismo, poder sobre o outro coisifição/materialização e marcantilização de tudo e de todos!
Ora, como somos hipócritas continuamos amealhando nosso rico dinheirinho enquanto alguém morre de fome, e ainda por cima ficamos bestificados com a violência contra a mulher, a criança, o idoso. Aff.
Se queremos uma cultura de paz, pensemos num mundo novo...Ana Laura.