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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Um minuto de reflexão!


Saiba porque o aborto deve ser permitido no Brasil from Universidade Livre Feminista on Vimeo



Ana Laura, defensora do Slutwalk, do feminismo e da minha sexualidade. Afinal, o corpo é meu, as regras são minhas!

quarta-feira, 3 de março de 2010

O DIA EM QUE ESTE TEU VELHO NÃO FOR MAIS O MESMO, TENHA PACIÊNCIA E ME COMPREENDA

Quando eu derramar comida sobre minha camisa e me esquecer de como amarrar meus sapatos, tem paciência comigo e lembra-te das horas em que passei te ensinando a fazer as mesmas coisas.
Se quando conversares comigo eu repetir as mesmas histórias, que sabes de sobra como terminam, não me interrompas e me escuta. Quando eras pequeno, para que dormisses, tive que te contar milhares de vezes a mesma estória até que fechasses os olhinhos.
Quando estivermos reunidos e sem querer eu fizer minhas necessidades, não fiques com vergonha. Compreende que não tenho culpa disso, pois já não as posso controlar. Pensa, quantas vezes, pacientemente, troquei tuas roupas para que estivesses sempre limpinho e cheiroso.
Não me reproves se eu não quiser tomar banho, sê paciente comigo. Lembra-te dos momentos que te persegui e os mil pretextos que inventava para te convencer a tomar banho.
Quando me vires inútil e ignorante na frente de novas tecnologias que já não poderei entender, te suplico que me dês todo o tempo que seja necessário, e que não me machuques com um sorriso sarcástico. Lembra-te de que fui eu quem te ensinou tantas coisas: comer, vestir e como enfrentar a vida tão bem como hoje o fazes.
Isso é resultado do meu esforço e da minha perseverança.
Se em algum momento, quando conversarmos, eu me esquecer do que estávamos falando, tem paciência e me ajuda a lembrar. Talvez a única coisa importante para mim naquele momento seja o fato de ver-te perto de mim, dando-me atenção, e não o que falávamos.
Também compreende que com o tempo não terei dentes fortes e nem agilidade para engolir.
E quando minhas pernas falharem por estarem tão cansadas e eu já não conseguir mais me equilibrar, com ternura, dá-me a tua mão para me apoiar, como eu o fiz quando começaste a caminhar com tuas perninhas tão frágeis.
E se algum dia me ouvires dizer que não quero mais viver, não te aborreças comigo. Algum dia entenderás que isto não tem a ver com teu carinho ou com o quanto te amo.
Compreende que é difícil ver a vida abandonando aos poucos o meu corpo e que é duro admitir que já não tenho mais o vigor para correr ao teu lado, ou para tomar-te em meus braços, como antes.
E, até quando eu me for, construirei para ti outra rota em outro tempo, mas estarei sempre contigo e zelando por ti.
Da mesma maneira que te acompanhei no início da tua jornada, peço-te que me acompanhes para terminar a minha. Trata-me com amor e paciência e eu te devolverei sorrisos e gratidão, com o imenso amor que sempre tive por ti.
Atenciosamente,
TEU VELHO

(Autor Desconhecido)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Torna-se mulher



Uma história de prenda feminina, àquelas que são cozinhadas no fogo com cheiros tão sólidos nas narinas.
Uma que começa com uma cantiga de roda, saia cirandada e uma moça de lindo sorriso. Sorriso de rapariga que alcança os corações.
E assim escolhe, de acordo com o cordel e com a benção de um Deus. Deus que se aprende a temer, a calar e curvar.
O buquê em meio a fitas e boneca, se enfeita e se atira no ar, entregue. Enxoval feito de zelos e sonhos. Beijos dos pais na despedida, tão traiçoeiros quanto o da história.
Logo se aprende. Na rasteira dos dias a calejar as mãos e a embalar a fadiga. "Dorme querida, dorme. Preciso trabalhar".
Se re-encontra com o amor indiferente, tão árido quanto o sertão. E a secura toma conta da cama, do quarto e da beleza. Seca as veias, curva o colo e emprenha as ancas.
Então se aprende a sorrir em linha reta, a chorar sem lágrimas e olhar como janela. A segurar o chão com os olhos em dias de briga, a se esquecer de dia e morrer todas as noites.
Aprende a trançar a vida com as das outras mulheres, a re-inventa. Reaprende as pequenas músicas de meninas, as brincadeiras de rodas circulando a mão na barriga.
No fogão queima um pouco da dor . Torna-se mulher.
Ana Laura. Inspiração: Linda Rosa/Maria Gadú

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Campanha contra a exploração sexual 2010

O nome já diz EXPLORAÇÃO SEXUAL.

Exploração: subordinação a algo ou alguém. Relação de opressão, de vatagem sobre o mais fraco. Dicionário: É só pensar um pouco, volume 2010.

Não importa se a menininha ou menininho está rebolando ou se esfregando em vc. Afinal, quem é o adulto?
Não importa se você sabe que ela faz isso para viver. Afinal, quem é o responsável pela proteção daquela criança?
Não importa se o pai/mãe veio e te ofereceu a criança ou o adolescente como objeto (como laranjas). Você tem o dever de dizer NÃO.



Você tem o dever de se importar.
O dever de denúnciar.
O dever de proteger.
O dever com a vida, sempre.




segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Forte das Rosas.


Numa gigantesca construção, rosas florescem no meio do lixo. Se você olhar bem perto, reescrevem a história daqueles tijolos abandonados pelas tolices e os re-colocam como Lar.
Uma construção no meio do nada de terra e mato. Lá elas aproveitam o abrigo de um teto e a possibilidade de um fogão comum. Muitas outras estão a morar e a dividir fogo e vida.
No quintal nada de flores, lixos tão somente. Claro, daqueles que se transformam em outro material, lixos que se reciclam, que se usam. Lá as rosas são somente elas.
Quem começou esta ocupação?
Só Deus sabe quem foi o primeiro que se achou dono do outro, o expulsou do seu lar, o oprimiu e o colocou a serventia de suas tolices. Quando não mais necessário, os deixou ir. Sem antes, os proibir de sua própria consciência como homem, dissendo: agora vocês são somente rosas.
Somente sendo rosa, estariam livres? Estas rosas ocuparam e habitam algo que se construiu no meio do lixo: mais conhecido como seu Lar. O lixo em muralhas são camuflagens, despertam desinteresses de lixos. Dentro da construção um Forte de Rosas, uma ocupação de liberdade, a retomada do seu.

Ana Laura. Hoje vi uma construção ocupada, vi somente mulheres e suas pilhas de material reciclado. Imaginei a guerra que seria viver naquele espaço, todos os dias, garantindo que ele é seu, o re-significando. Quantas construções perdem sua função social de proteger, acolher, cuidar e se tornam apenas abandonadas pelos Tolos e suas Tolices.
Pensei em rosas mulheres, uma das poucas plantas que aprendeu a camuflar na beleza seus afiados espinhos. Minhas rosas camuflaram na feiúra de seu lixo a retomada para humanidade. Um dia alguém decidiu que não teríamos um teto, comida e consciência. Mesmo assim, ainda existem Fortes florescendo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Teste sua indiferença

Você consegue sentir?

Quando seu único amigo é um cachorro

Senti?

Fome na Africa
Você consegue sentir?

Foto de Sebastião Salgado

E agora, consegue?

Foto de Sebastião Salgado

Consegue?

Pieta- Paulo Rego

E agora?

Olhe esta, ainda sente?


Tortura realizada por soldados americanos a prisioneiros de guerra no Iraque

Você consegue sentir algo?




Consegue, ainda sentir-se parte disto?

"Durante a guerra aprendi uma verdade que geralmente preferimos não enunciar: que a coisa mais brutal da crueldade é aquela que desumaniza suas vítimas antes de destruí-las. E que a luta mais árdaus de todas é permanecer humana em condições desumanas"

Janina Bauman, 1985. Inverno na manhã. Uma jovem no Gueto de Varsóvia.
Ana Laura

BORDIEU, Pierre


Eu não sei se existe um universo cósmico que interliga as pessoas e as ações, na qual nada é por acaso...estas idéias me assustam, mas em algumas situações me permitem dormir a noite!
Enfim, ultimamente tenho me deparado com o filosofo Pierre Bourdieu, melhor dizendo com os escritos e pensamentos do filosofo.
Vou colocar as frases que me apresentaram nestes dias:

"Sem o questionamento do sofrimento que mutila o cotidiano, a capacidade de autonomia e a subjetividade dos homens, a política, inclusive a revolucionária, torna-se mera abstração e instrumentalização."
Pierre Bourdieu

Esta me atingiu em cheio. Será que estou me questionando sobre o sofrimento alheio, será que estou agindo com a consciência deste sofrimento..opa, será que só liguei o automático e pronto?

“As mesmas discriminações que atribuem às mulheres as ocupações contínuas e invisíveis são instituídas sob nossos próprios olhos”

A opressão feminina é algo "legitimado" e permitido na nossa sociedade, muitos sequer a vê. Mas como ela é uma criação histórica, é passível de mudança.

“Não há democracia efetiva sem um verdadeiro poder crítico”

Sem comentários...

¨Eu mesmo tenho frequentemente lembrado que, se existe uma verdade, é que a verdade é um lugar de lutas. ¨

A idéia de luta, acredito eu, é provocar o cotidiano conformista que temos, mostrando as desigualdades social, raciais, gênero, geração, credo, cultura, poder aquisitivo e assim vai. É colocar na pauta do dia as verdades "veladas" e lutar que elas sejam vistas, sentidas e incorporadas como algo já não aceitável. É ter consciência que a Verdade imposta é que para uns comer outros têm que deixar de existir, mas por que se importar você ainda tem comida no prato! E esta verdade só pode ser combatido diante da luta que enfrentaremos com os poderes objetivos (os donos das riquezas, digamos assim) e simbólicos (conformismo, alienação, indiferença, individualismo, egoísmo e por assim vai), se não concebermos uma verdade de luta, teremos que conceber uma verdade conformista!

Alguns endereços, apropriem se da informação por completo... Sejam críticos, dialoguem, não perca o valor humano na sua vida, não perca o outro.

Ana Laura

terça-feira, 28 de abril de 2009

Humanos somos todos nós!

Ela estava sentada ali no balanço com os livros nas mãos. Uma palavra enche a boca e mexe com a cabeça, Humanidade. Quem são os humanos, afinal, percebia que a palavra tinha muito a mostrar do que aparentava. Parecia até que ela se escorregou do livro e foi balançar a menina. Pra frente e pra trás, até endoidecer a vistas e não se entender mais nada.
Humanidade.
Pára.
Respira.
Tudo volta, até a curiosidade.
Ela se levantou e foi correndo pra casa, logo de cara encontrou um bêbado deitado na rua. Ou era rua deitada por baixo do bêbado, mas a palavra novamente tomou-lhe a mente. Trocaram olhares, algo do tipo, você pode me ajudar! Não se subestima a curiosidade de uma criança com trocas veladas, caí na ponta da língua: Você sabe o que é humanidade?
-Não sei não, ora, nossa, mas é bonita, talvez seja nome de país distante, sabe: de gringo. Aquele povo branquinho e rico que se vê pela televisão. É, deve ser mesmo, lugar onde se tem muita gente rica e se vive muito bem!
-Anhhhh! Uma idéia arrastada ficou ali entre os dois.
A menina guardou a resposta. Será que era tudo isto mesmo, poxa, não havia aprendido isto na geografia do mundo ou naquela bola gigantemente azul da sala de aula. Mas eram tantos países, também tantas possibilidades. Nem esperou que o bêbado falasse mais alguma coisa, talvez a curiosidade a tenha puxado pela mão. Rumando pra casa, com as poeiras nos pés descalços.
-Mãe o que é humanidade? Agora a palavra saia estendida e ocupava todo ambiente, ela estava crescendo dentro da criança.
-Vixe, Maria, mais esta! Humani o quê? AH! deve ser alguma coisa que mulher não precisa aprender não, você devia se ocupar em me ajudar em casa, ao invés de sonhar com estas palavras neste punhado de página, vou te falando logo: A vida é dura pra mulher e livro nenhum ensina nós a suportá tudo o que vem pela frente. Tem a seca, tem a farta de comida, tem os filhos.....ss..s...e dor de parto...e...e...nunca sonhar.
A menina pensou, pensou. O discurso é antigo! Sim, não havia mais tanta mágoa, só discurso correndo pra fora do barraco de tapera e se estatelando junto a paisagem seca, escutou a mãe até o fim. Voltou a pensar no bêbado, preferiu a idéia de país, de um punhado de gente vivendo igual e bem. AH! quem era que cantava sobre um bêbado e uma esperança ou era um equilibrista? Enquanto isto suas mãos pequenas já se pegava nos serviços domésticos para aliviar a dureza da mãe, suas idéias vagavam entre varrer direito e esta bendita humanidade.
Entre os últimos afazeres: colocar a mesa para o jantar, então, a mãe solta arrependida.
- Que tal perguntar para seu pai, se é tão importante! Você é uma boa menina.
Sim, ela era. Desde que nasceu, boa em tudo, na escola, na casa e seus afazeres, na rudeza da vida em uma cidade pequena e árida, no silêncio. Sim, o sol iluminou o rosto num sorriso. Ele saberia, sim, o seu pai, ele saberia.
Logo que chegou, o sol se incendiou na boca e correu pra abraçar o pai... Pai, o que é humanidade?
- Nossa, você me pegou. Onde leu isto! Ave Maria! Fala a frase toda pra eu entender?
Foi um pulo entre pegar o livro, encontrar a página e mostrar a frase:
- A humanidade foi obtendo o fogo, a roda, a lança, aprendeu a caçar, a pescar e plantar, assim sobreviveu.
- Olha aí filha, fácil. É quando temos um tantinho de coisa pra nos ajudar a viver. Pra num passar tanta necessidade. Nós somos humanos quando temos tudo isto.
- Mas alguém dá tudo isto pra nós, os gringos dão, porque no país da humanidade os gringos vivem bem, eles já estão humanos!
O pai olhou pra menina cheia de vida na sua frente. Com tanta idéia na cabeça que mal conseguia perceber o movimento do pulmão daquela criança, tudo sai assim, num fôlego.
- Eita, mi-nha filha! Mas acho que humanos somos todos nós. Só não sei te dizer quem nos dará a parte da humanidade que nos ajuda a viver! Mas pra que se apoquentar por isto...bôra comer.
A menina olhou pro pai, pra mãe (que nem sequer tinha ouvido a sua resposta, os cuidados com a casa era uma companhia ciumenta), lembrou do bêbado e do país de gringos. Olhou pra si, pra sua vida, pra vida de todos. Escolheu a esperança como irmã gemea da humanidade. Ela vem, sim...pensou. Como era boa esta menina!


Ana Laura, hoje estava pensando o que nos torna humanos e porque isto me intriga tanto!
Não sei de onde vem esta imagem, meu amigo google foi indiferente às minhas suplicas.