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quinta-feira, 18 de março de 2010

O melhor emeio da semana: Relato de uma sofredora na depilação

"Tenta sim. Vai ficar lindo".
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve.Mas acho que pentelho não pesa tanto assim.
Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa.
Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?- Virilha.- Normal ou cavada? (Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.)
- Cavada mesmo.
- Amanhã, às… Deixa eu ver…13h?
- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos,gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou acordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?
- É… é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro. (Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.)De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- Pode abrir as pernas.
- Assim?- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Arreganhada, né?
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu.
Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural. Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa “que garota estranha”. Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope.
Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.(Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo).
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
E quis matá-la. Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. “Me leva daqui, Deus, me teletranspor$ta”. Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da puta arrancar cabelinhos mais filhos da puta ainda resistentes. E quis matá-la!
Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiqueiesperando novas ordens.
- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la.
De repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente lambuzando o meu “forévis”. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento.
Pê puxou a cera.
Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha do meu cú pra contar a história.
- Vira agora do outro lado. (porra.. por que não arrancou tudo de uma vez?)Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o meu cuzinho lindo tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa merda…
- Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar?????….. eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso.
Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.
Queria comprar o domínio www.preserveasvaginaspeludas.com.br
FDP foi a mulher que inventou a “cavadinha”
Autor desconhecido

quarta-feira, 3 de março de 2010

O DIA EM QUE ESTE TEU VELHO NÃO FOR MAIS O MESMO, TENHA PACIÊNCIA E ME COMPREENDA

Quando eu derramar comida sobre minha camisa e me esquecer de como amarrar meus sapatos, tem paciência comigo e lembra-te das horas em que passei te ensinando a fazer as mesmas coisas.
Se quando conversares comigo eu repetir as mesmas histórias, que sabes de sobra como terminam, não me interrompas e me escuta. Quando eras pequeno, para que dormisses, tive que te contar milhares de vezes a mesma estória até que fechasses os olhinhos.
Quando estivermos reunidos e sem querer eu fizer minhas necessidades, não fiques com vergonha. Compreende que não tenho culpa disso, pois já não as posso controlar. Pensa, quantas vezes, pacientemente, troquei tuas roupas para que estivesses sempre limpinho e cheiroso.
Não me reproves se eu não quiser tomar banho, sê paciente comigo. Lembra-te dos momentos que te persegui e os mil pretextos que inventava para te convencer a tomar banho.
Quando me vires inútil e ignorante na frente de novas tecnologias que já não poderei entender, te suplico que me dês todo o tempo que seja necessário, e que não me machuques com um sorriso sarcástico. Lembra-te de que fui eu quem te ensinou tantas coisas: comer, vestir e como enfrentar a vida tão bem como hoje o fazes.
Isso é resultado do meu esforço e da minha perseverança.
Se em algum momento, quando conversarmos, eu me esquecer do que estávamos falando, tem paciência e me ajuda a lembrar. Talvez a única coisa importante para mim naquele momento seja o fato de ver-te perto de mim, dando-me atenção, e não o que falávamos.
Também compreende que com o tempo não terei dentes fortes e nem agilidade para engolir.
E quando minhas pernas falharem por estarem tão cansadas e eu já não conseguir mais me equilibrar, com ternura, dá-me a tua mão para me apoiar, como eu o fiz quando começaste a caminhar com tuas perninhas tão frágeis.
E se algum dia me ouvires dizer que não quero mais viver, não te aborreças comigo. Algum dia entenderás que isto não tem a ver com teu carinho ou com o quanto te amo.
Compreende que é difícil ver a vida abandonando aos poucos o meu corpo e que é duro admitir que já não tenho mais o vigor para correr ao teu lado, ou para tomar-te em meus braços, como antes.
E, até quando eu me for, construirei para ti outra rota em outro tempo, mas estarei sempre contigo e zelando por ti.
Da mesma maneira que te acompanhei no início da tua jornada, peço-te que me acompanhes para terminar a minha. Trata-me com amor e paciência e eu te devolverei sorrisos e gratidão, com o imenso amor que sempre tive por ti.
Atenciosamente,
TEU VELHO

(Autor Desconhecido)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Torna-se mulher



Uma história de prenda feminina, àquelas que são cozinhadas no fogo com cheiros tão sólidos nas narinas.
Uma que começa com uma cantiga de roda, saia cirandada e uma moça de lindo sorriso. Sorriso de rapariga que alcança os corações.
E assim escolhe, de acordo com o cordel e com a benção de um Deus. Deus que se aprende a temer, a calar e curvar.
O buquê em meio a fitas e boneca, se enfeita e se atira no ar, entregue. Enxoval feito de zelos e sonhos. Beijos dos pais na despedida, tão traiçoeiros quanto o da história.
Logo se aprende. Na rasteira dos dias a calejar as mãos e a embalar a fadiga. "Dorme querida, dorme. Preciso trabalhar".
Se re-encontra com o amor indiferente, tão árido quanto o sertão. E a secura toma conta da cama, do quarto e da beleza. Seca as veias, curva o colo e emprenha as ancas.
Então se aprende a sorrir em linha reta, a chorar sem lágrimas e olhar como janela. A segurar o chão com os olhos em dias de briga, a se esquecer de dia e morrer todas as noites.
Aprende a trançar a vida com as das outras mulheres, a re-inventa. Reaprende as pequenas músicas de meninas, as brincadeiras de rodas circulando a mão na barriga.
No fogão queima um pouco da dor . Torna-se mulher.
Ana Laura. Inspiração: Linda Rosa/Maria Gadú

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Minha Mala e eu.


Minha mala vai cheia de pequenas esperanças, de um tanto de roupa e outro de vivido. Minha mala vai onde eu a carrego, mas seu símbolo foi o que sempre me carregou. Sou cidadã do mundo, primeira vez que disse: a frase se expandiu na sala e se afincou no peito. Sou cidadã do mundo, SIM.
Minha mala vai assim calada e, como dizem, se soubesse falar diria dos lugares que me carregou pela mão.
Em pequenos passos Roma parece muito próxima, mas a ousadia não é tanto. Vou, fico, me encanto, me estresso, saio e tudo com sua validade. Deixo um pouco de poeira e outro de amigos. Agenda lotada para emeios e cartões de Natais. Desculpe, tê-los esquecidos.
Minha mala vai assim, cheia de lembranças. Mas um mapa enorme de possibilidades. Avante, sempre.


Ana Laura. Minhas raízes se desenvolvem no ar.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

As mulheres da minha família

As mulheres da minha família se recortam em pedaços e em colcha transformam-se em mim. Das que viveram na minha história e me marcaram com um sobrenome tamanho. Tenho uns signos e encantos que carrego como tesouros, são risadas e tiques, dos gostos herdados e joelhos tão redondos.
São Amanda e Josefa sedutoras quanto poesia. As vaidades em pequenos detalhes de unhas pintadas de vermelho, em frases sobre o sexo e nos olhares perdidos na multidão. Amores são assuntos prediletos. Decotes, vestidos e rendas. Passionais como perfumes doces. São de adeus e boas vindas, paz e guerra. Sorrisos Altos. Beijos jogados ao vento.
Tem Severina e Luzia calmas, brandas e sofridas. Um pouco de Deus no canto da vida e muito de amor pelos filhos. Flores, crochê, chás, alecrim e erva cidreira. Como não amá-las? Limites fortes e horizontes pequenos, coisas de jardim ou paraíso privado. Mas quando lá se fixa, se fica, se em paz...como cama quente em dia de chuva.
E fica assim um pouco delas em tudo. Um tanto de silêncio em boca vermelha. Outro de acolhida em despedidas. Armário embolorado com roupas novas. Da malicia serena, de jardins públicos, dos traçados das pernas, das delicias e dores herdadas. Meu livro está assim, recortado em sinestesias e escrito a dez mãos.
Rocha, Ana Laura.

domingo, 31 de janeiro de 2010



Troquei os lençóis, desliguei o som, mudei a roupa e saí assim descabelada sem me importar com terceiros, fui a procura de um café forte, sentei ai mesa e percebi que os passos que sempre dei na minha vida foram para trás. E quantas vezes perdi a direção, quantas vezes fiquei só olhando os carros na contramão. Por quanto tempo congelei a minha história enquanto os anos passavam para todos, não vi o tempo passar, não colecionei amores, sentimentos, paixões por medo. Sempre escolhi demais e acaba ficando só, sempre me achei a rejeitada, mas hoje sei que apenas eu me coloquei de lado. Não sei se ainda dá tempo de mudar a minha história, acho que sim e espero muito que sim. Mas pelo menos hoje sei que os culpados estão dentro de mim e amanhã quero matar um por um sem culpa, sem medo ou algo assim.

Taty, amanhã será um novo dia...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Forte das Rosas.


Numa gigantesca construção, rosas florescem no meio do lixo. Se você olhar bem perto, reescrevem a história daqueles tijolos abandonados pelas tolices e os re-colocam como Lar.
Uma construção no meio do nada de terra e mato. Lá elas aproveitam o abrigo de um teto e a possibilidade de um fogão comum. Muitas outras estão a morar e a dividir fogo e vida.
No quintal nada de flores, lixos tão somente. Claro, daqueles que se transformam em outro material, lixos que se reciclam, que se usam. Lá as rosas são somente elas.
Quem começou esta ocupação?
Só Deus sabe quem foi o primeiro que se achou dono do outro, o expulsou do seu lar, o oprimiu e o colocou a serventia de suas tolices. Quando não mais necessário, os deixou ir. Sem antes, os proibir de sua própria consciência como homem, dissendo: agora vocês são somente rosas.
Somente sendo rosa, estariam livres? Estas rosas ocuparam e habitam algo que se construiu no meio do lixo: mais conhecido como seu Lar. O lixo em muralhas são camuflagens, despertam desinteresses de lixos. Dentro da construção um Forte de Rosas, uma ocupação de liberdade, a retomada do seu.

Ana Laura. Hoje vi uma construção ocupada, vi somente mulheres e suas pilhas de material reciclado. Imaginei a guerra que seria viver naquele espaço, todos os dias, garantindo que ele é seu, o re-significando. Quantas construções perdem sua função social de proteger, acolher, cuidar e se tornam apenas abandonadas pelos Tolos e suas Tolices.
Pensei em rosas mulheres, uma das poucas plantas que aprendeu a camuflar na beleza seus afiados espinhos. Minhas rosas camuflaram na feiúra de seu lixo a retomada para humanidade. Um dia alguém decidiu que não teríamos um teto, comida e consciência. Mesmo assim, ainda existem Fortes florescendo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Bem que minha mãe disse: não brinque com água oxigenada!

Nesta época de ano, as pessoas ficam agitadas e realizam toda e qualquer loucura para ver a vida mudada. Afinal, as músicas natalinas cobram eficácia e eficiência do ano, mexendo com o subconsciente e dizendo as massas: “Então é Natal, o que você fez? O ano termina e começa outra vez!”
Então neste final de dezembro vale começar um regime natalino, virar esportista de fim de ano, assistir filme como louco, telefonar a todos os esquecidos, fazer novas dividas e até mudar o look e começar o ano com uma aparência diferente.
Ana Laura, não seria diferente. Em um salão empreende a derradeira tentativa de se sentir bem com o visual, afinal a balança este ano não mudou de posição, adora as comidas natalinas, o que garante nenhum regime e esporte fica adiado, pós-carnaval.
Entra no salão e pede mechas californianas. Sai do salão se achando surreal e desejando que sua impressão de total fracasso esteja errada. Mas como encarar uma reunião com amigos, desta forma? Pensa como o comprometimento pode ser uma faca de dois gumes. Suspira fundo, firma o pé e decide assumir seu novo look.
Chega atrasada. Todos se voltam a ela. Quantos olhos de piedade!
Aí, para... Estes olhares não é pra mim, é o diferente que choca, se acostumem com a nova Ana Laura!
-Que diferente seu cabelo, nossa, parece cachinhos dourados! A única pessoa que resolveu tocar no assunto.
AH! Sim...aquela menina atrevida e destemida que invade a casa de ursos malvados, come a comida deles, quebra a mobília, tira uma soneca e ainda fala para o Urso alfa. - Qualé, o que tá olhando? Nunca viu uma menina com cachos dourados? Mechas Californianas? É melhor não encarar, por que se não, nem Greenpeace te safa!
Até a rodoviária, Deus na sua bondade, ajuda Ana Laura ver a realidade. Lufadas de vento, chuva e umidade, faz com que a ilusão seja “naturalmente” destruída. Chegando em casa, no banheiro, na frente do espelho e então, ela diz:
-Espelho, Espelho meu. Diz que você colou a foto do Supla aí!?!?
O terror foi instaurado. Ana Laura recorre ao telefone e pede ajuda:
- Amanda, você não vai acreditar.
- Ai, meu Deus. Diga...
- Fiz mechas californianas!
- Sériooooo, que Mara!!! Como ficou?
- Você conhece aquele cara Piu Piu que o Gugu tirou da rua?
Do outro lado, uma gargalhada. Não tinha como não rir de tudo aquilo, histeria seria pouco!
- Você está brincando comigo! Daquela cor? Gente, mas a cabeleireira pintou, descoloriu... A conversa foi voltada para técnicas ocultas da cabeleireira e de como enganar uma cliente despreparada e carente.
Com tanto medo da consciência gritando sobre a Ditadura da Beleza que somente as 3 horas da manhã Ana Laura consegui dormir! Pesadelo
que durou até o meio dia, quando a natureza voltou aos seus padrões normais e uma tinta, mara da cor chocolate, tingiu até o céu de alegria!
Ana Laura, pós-trauma, se recupera com bastante humor. Quem nunca brincou com água oxigenada que atire a primeira pedra! Hoje a família se arrepende de não ter tirado uma foto para enfeitar a árvore de Natal. Mas deseja fazer das festas de final de ano algo realmente diferente: entregar a Ana Laura o troféu: Rainha dos Micos.
Dos Micos Leões Dourados!
Ana Laura. Só duas pretas ficam realmente lindas loiras: Beyonce e Sandra de Sá!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

EXIGÊNCIAS DA VIDA MODERNA - Autor desconhecido

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia...
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo - e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher... na sua cama.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal... Tchau!
Viva a vida com bom humor!!!


Não é de Verissimo. Os textos que são atribuidos de Luís Fernando Verissimo, ver neste blog:


http://ribeirobr.blogspot.com/2009/04/textos-falsos-atribuidos-luis-fernando.html

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

As pessoas simples que eu tanto estimo


As pessoas simples que eu tanto estimo são aquelas que em pequenos detalhes me atraem a simpatia.
Aquelas que cantarolam pela rua qualquer música tola e vã.
Que se sentam em praças com livros ou se deitam em gramas com toalhas.
As pessoas simples que tanto me atrai são aquelas que sorriem com facilidade.
São também as que ainda tratam com Bons dias e Boas tardes...

Aquelas que andam de bicicleta pelo trânsito com cara de sol e manhã.
Simplicidade dos que ainda dão os braços e as mãos para caminhar, enfim, lado a lado com alguém.
Pessoas simples são aquelas que comem doces e oferece a todas as crianças em volta, sabendo que doce e criança tem acordo natural.
Simples são aquelas que se deixam lambuzar com um sorvete!
E oferecem o lugar no ônibus para um velho, uma mãe, um deficiente ou simplesmente por perceber o cansaço alheio.
Simplicidade é aquele olhar atencioso que transforma o estranho a oportunidade de próximo!
Ana Laura

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Indícios para não levantar da cama


Quando a única calcinha é aquela grande e natalina que sua avó deu.


Quando o seu cabelo resolveu ter vida própria.


Quando você não tem vontade de se arrumar e acha que o cobertor é um bom modelo para o dia.



Quando retira todas as roupas do armário e todas marcam todos tecidos adiposos do seu corpo.



Quando o café derrama na roupa que dificilmente você escolheu e que agora vai ter que fazer tudo de novo.



Quando o carro ou a moto afoga mais que o comum. Ou mesmo quando perde o ônibus por míseros 2 minutos, não, não corra atrás dele.



Quando o tempo está horrível e você não consegue encontrar seu guarda-chuva e nem sua bola Wilson, caso naufrague por algum alagamento da avenida tal!



E por ultimo e importante, quando a chave some de forma assustadora e você começa ter a nítida certeza que sua casa tem doendes, hobbits domésticos ou orcs...



Se tudo isto acontecer: DESISTA, mesmo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

DIGRESSÃO


Todas as manhãs, sol já colocado no céu. Maria vai à praça, traçar suas pegadas em linhas circulares que chamava de trilha. Caminhada, caminhada, era o conselho do médico para a saúde. Cinco voltas eram necessárias para acreditar que o vigor, a saúde e a força voltariam. A beleza era o de menos, mas não faria nenhum mal.
Já na primeira volta ela repassava aquilo que não poderia esquecer: colocar a roupa na máquina, passar o punhado que estava na cadeira, escolher o feijão e, claro, o banho. Na segunda lembrava-se da casinha simples que viu construir e que acolheu a sua família. Lembrava então, das três lindas meninas, que agora mulheres, cada uma com um destino diferente. Um de saudade eterna, outro de professora letrada e letradora e a outra, tão parecida: casada cedo, mãe e dona de casa.
Lembrou do marido belo da juventude, da simplicidade do namoro, dos sapatos, dos vestidos domingueiros com pregas, dos sorrisos daquela época. Já estava na quarta volta e não se esqueceu da época da inocência que viveu bobo momento de se apaixonar, laços, fitas e prendas.
Na última volta já com olhos lançados no passado. Lembrou-se do ciúme paterno com o namoro e da teimosia do marido. Da dificuldade na infância, dos afazeres domésticos em suas mãos pequenas e desajeitadas. Lembrou da rudeza da mãe, do olhar triste para os filhos, dos remédios ruins de vermes e da beleza de um sertão.
O médico tinha razão, o coração ficava forte, belo e robusto no peito de Maria no final.


Ana Laura.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Rodoviárias da vida

Nada como ficar tempo suficiente esperando um ônibus para se refletir nas rodoviárias e sua dinâmica.
Tem sempre a moça bonitona de "seios fartos" tentando carregar a mala gigantesca e nenhum condenado para ajudar! Não que só a mulher bonita deva ser ajudada, mas homem não entende mais de cavalheirismo, não é porque colocaram rodas nas malas que elas se tornaram leves e práticas. Tudo bem, não é porque colocaram enchimento no sutiã que nos tornamos a Central para Ações Caridosas! Brincadeira amigas dos sutiãs queimados!
Tem sempre alguém que senta no meio do banco, desconvidando qualquer um que pretenda dividir o "espaço ao sol!"
Tem sempre, tem vários, quase todos, perdidos sem saber plataformas, onde vai, onde fica. Pede informações e só perde a insegurança dentro do ônibus e sentado já na poltrona. Dá para observar o alívio dos rostos pelas janelas.
O bêbado está sempre lá cantando. Hoje escutei a versão mais cômica de Malandragem: "Quem sabe ainda sou uma garotinha, com a meia três quartos eu pego meu carro e mudo uma planta de lugar. " Fiquei imaginando como fazia sentido a equação: bêbado, meia três quartos e um carro, claro que ele poderia mudar uma planta de lugar: uma árvore talvez!
O pedinte é figura carimbada. As moedinhas para ajuntar e comprar a passagem para ver a mãe doente, para re-encontrar a família... os papéis com as histórias de tristeza, e, para os mais desesperados só resta mostrar os machucados e doenças. Tem também os que vendem poesias, estes eu sempre ajudo, se bem que nunca encontrei "a poesia", continuo a procurar um poeta de rodoviaria, cansado das Editoras Capitalistas e pronto para demonstrar seu dom...risos...
Tem as situações atuais: a cada espirro de alguém, muitos param de respirar por causa da Gripe Porcina!
Sempre tem o carinha com o óculos escuro, com fones no ouvido e mandando mensagem no celular. Morro de vontade de gritar: Em que mundo você vive? Mas acho que ele não se importaria. Bom, ema..ema...ema...cada um com seus dilemas!
Tem a pessoa que perde o ônibus e todo mundo fica compadecido. Put's é uma dor socializada...
Tem as crianças sorridentes que querem conversar, sorrir e nos fazer acreditar que vale a pena lutar pelo futuro.
Tem as pessoas que arrumam qualquer pretexto para puxar um papo, te tocar e dizer pelo menos: Nossa vai chover hoje, o ônibus tá atrasado, que calor, gente! Estas são as minhas prediletas.
Por ultimo e não inesquecível. Tem pessoas que cortam a fila do ônibus para embarcar....nestes momentos a turba vai ao delírio e grita: Sai daí, fura fila. Sem respeito. Tem que esperar como todos, ninguém é melhor que ninguém....e Ana Laura vai ao climax da felicidade, como é bom perceber que ainda conseguimos fazer barulho!

sábado, 5 de setembro de 2009

A bailarina não solta pum

Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita?
(Machado de Assis)
Acho esta frase genial e que me lembra bem o geitinho de acreditar que a beleza é sinômino de felicidade e perfeição, gente só a bailarina não solta pum!
  • "Nossa aquela moça se suicidou, era tão linda!"
  • "Um rapaz lindo, mas não tinha a perna"
  • "Gente aquele cara lindo é gay, que desperdício!"
  • "Não entendo porque tem tanta criança linda abandonada!"
  • "Dá até raiva um rapaz lindo e desperdiçando a vida..."
  • "Solteira? Como assim, você é linda!"
  • "Nem acreditei que era bandido, tão bonito que era"

e assim vai o fado dos feios e seus legitimados sofrimentos. Bonito não sofre e quando acontece é por pura injustiça, claro. Coff Coff.

Ana Laura, me exclamaram a quarta. E eu respondi:Porque não teriamos crianças para serem adotadas! (Fui bem ironica, mas a pessoa não entendeu!)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Preto no Branco - Luis Fernando Verissimo

“Escrevo peças porque escrever diálogos é a única maneira respeitável de você se contradizer.” Tom Stoppard
Um palco vazio. Entram dois homens, um vestido de preto e o outro vestido de branco. Eles representam os dois lados do Autor. Isso a platéia já sabe porque está escrito no programa. Pelo Autor. Ou por um dos lados do Autor, já que o outro era contra. O outro lado do Autor queria que o espectador deduzisse no transcorrer do diálogo que os dois autores representam a mesma pessoa, porque, na sua opinião, dar muitas explicações para a platéia subverte a relação de cumplicidade misturada com hostilidade que deve existir entre palco e público, e nada destrói este clima mais depressa do que o público descobrir que está entendendo tudo. Os dois lados do Autor discutiram muito sobre isto e prevaleceu o lado que queria ser perfeitamente claro, mesmo com o perigo de frustar o público. Palco vazio. Dois homens, representando os dois lados do Autor. Um todo de preto, o outro todo de branco.
Homem de Branco - Preto.
Homem de Preto – Branco.
Branco – Por que não cinza?
Preto – Vem você com essa absurda mania de conciliação. Essa volúpia pelo entendimento. Essa tara pelo meio-termo!
Branco – Senão fosse isso, nós não estaríamos aqui. Foi minha moderação que nos manteve longe de brigas. Foi minha ponderação que nos preservou. Se eu fosse atrás de você...
Preto – Nós teríamos vivido! Pouco, mas com um brilho intenso. Teríamos dito tudo que viesse à cabeça. Distinguido o pão do queijo com audácia. Posto pingos destemidos em todos os “is”. Dado nome completo a todos os bois!
Branco – Em vez disso, fomos civilizados. Isto é, contidos e cordatos.
Preto – E temos tiques nervosos para provar.
Branco – Você preferiria ter dito a piada que magoaria o amigo? A verdade que destruiria o amor? O insulto que nos levaria ao Pronto-Socorro, setor de traumatismo?
Preto – Preferiria. Para poder dizer que não me calei. Para poder dizer “Eu disse!”
Branco – Ainda bem que não é você quem manda em nós.
Preto – Não, é você. Sempre fazemos o que você determina. Ou não fazemos. Não dizemos. Não vivemos! Estou dentro de você, fazendo, dizendo e vivendo só em pensamento. Se ao menos eu pudesse sair aos sábados...
Branco – Para que, para nos matar? Pior, para nos envergonhar?
Preto – Melhor se envergonhar pelo dito e o feito do que pelo não dito e não adiado. Você sabe que cada soco que um homem não dá encurta a sua vida em 17 dias? E cada vez que um homem pensa em sair dançando um bolero e se controla, seu fígado aumenta? E cada...
Branco – Bobagem. Ainda bem que eu sou verdadeiro nós.
Preto – Não, eu sou o verdadeiro você.
Branco – Você só é nós em pensamento. Você é minha abstração.
Preto- Sou tudo o que em nós é autentico e não reprimido. O seja: você é minha falsificação.
Branco – Você não é uma pessoa, é uma impulsão.
Preto – Você não é pessoa, é uma interrupção.
Branco – Mas quem aparece sou eu.
Preto – Então o que estou fazendo neste palco, e ainda por cima de malha justa?
Branco – Você só está aqui como uma velha tradição teatral, o interlocutor. Um artifício cênico, para o Autor não falar sozinho. “Escrever diálogos é a única maneira respeitável de você se contradizer.” Tom Stoppard.
Preto – Quer dizer que eu só entrei em cena para dizer...
Branco – Branco. E eu...
Preto – Preto. Por quê?
Branco – Para mostrar à platéia que todo homem é a soma, ou a mescla, das duas contradições. Que no fim o destino comum de todos, cremados ou não cremados, não é ser branco ou preto, é ser cinza.
Preto – Mostrar a quem?
Branco – A pla... Onde está a platéia?!
Preto – Foram todos embora.
Branco – Será porque não entenderam o diálogo?
Preto – Acho que foi porque entenderam.
Luiz Fernando Verissimo. Preto e Branco. Publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo – Caderno 2, em 25/11/2001.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Releitura do Céu no Chão

Sentada no chão em companhia da caixa de giz de cera e da criatividade. Olhava de cima para baixo e de baixo para cima, o céu não transbardaria sem que a menina não visse. Sem que notasse que para transbordar o céu teria que passar por ela. Pelos olhos, cérebros, mãos e sentimentos.
Sim, ela fazia a sua releitura do céu no chão. Daquele céu cor de abóbora e nuvens pastéis e brancas, daquele que lembrava doce e lembrava brevidade.
Fazia dos perfeitos contornos da natureza o seu contorno infantil. Vários transeuntes desviavam da menina e do seu céu.
Mas ninguém conseguia não achar graça, beleza, paz e alegria ao ver a menina debruçada no céu de um chão.
Toda calçada forrada de nuvens brancas e cor de abóbora.
Ninguém soube a intenção daquela menina.
Só sabiam que ali havia a brevidade de um céu pintado e uma menina que o fez transbordar no chão.


Está meio confuso, eu sei, mas um pouco de paz passou no meu dia agitado. Lembro-me dê um vendedor de apitos que fazia bolhas, uma menina cigana que se encantou com aquilo. Lembro de ela ter dançado embaixo do apito de bolha e de eu ter sentido a maior paz do mundo. Nunca mais me saiu da cabeça a idéia que a paz está na simplicidade das crianças em se encantar. Ou será: em nos encantar?


Ana Laura

domingo, 23 de agosto de 2009


Vetados os excessos, fico a me imaginar quanto tempo me resta de vida?
Sim, pergunta macabra essa, não? Pode até ser, mas em pleno meus vinte e poucos anos, me sinto esgotada.
Essa vida tão igual, o tempo que corre apressadamente, a cada instante, a cada momento sem deixar tréguas, sem me deixar respirar.
Apenas as reticências permanecem, o que restará de mim? Afirmo e reafirmo que nada restará!
Sem árvores a plantar, sem filhos a gerar e muito menos meu nome a estampar, vivo e sigo assim anonimamente.
Mas tem dias que a brincadeira perde a graça e sorrir fica cada dia mais dificil. São as escolhas erradas, são os momentos apagados, e é a vida todos os dias me perguntando o que vim fazer aqui e sou eu todos os dias tentando lhe responder: Ainda não sei!
Taty.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Teoria da Conspiração- Ironia do H1N1

Creio que muitos receberam este emeio. Eu, apesar de não saber a veracidade dos dados, fiquei pensando nas Teorias de Conspirações. Se elas são verdadeiras nem sempre sabemos, todavia é sempre bom nos questionar sobre a intenção por traz de toda e qualquer ação. Até mesmo a do emeio.
Principalmente aquelas ações que a Mídia Grande dá alarde. Gostei do texto e acredito que ele traz um enfoque da naturalização das "desgraças": a morte pela fome, infanticidio, país que extermina o outro, guerra civil e por assim vai. Você já não se importa? Tome cuidado quando os socos não fizerem mais efeito!

*A IRONIA NO SEU MELHOR ESTILO**
2000 pessoas contraem a gripe suína e todo mundo já quer usar máscara.
25 milhões de pessoas têm AIDS e ninguém quer usar preservativo...
*PANDEMIA DE LUCRO
Que interesses econômicos se movem por detrás da gripe porcina???
No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária, que se podia prevenir com um simples mosquiteiro.
Os noticiários, disto nada falam!
No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarréia que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 centavos.
Os noticiários disto nada falam!
Sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas, provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.
Os noticiários disto nada falam!
Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves......os noticiários mundiais inundaram-se de noticias...
Uma epidemia, a mais perigosa de todas...Uma Pandemia!Só se falava da terrífica enfermidade das aves.
Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos...25 mortos por ano. A gripe comum, mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25.

Neste momento o autor se refere algumas industrias farmaceuticas que lucraram muito na criação de remédios na época da Gripe das Aves e que são as mesmas que estão lucrando com a patente de um remédio na Gripe Porcina (brinc. do autor). Pode ser bobagem, mas fiquei com medo de anunciar, put's que covarde... vai saber né, assisti o filme Jardineiro Fiel (tinha colocado Amor sem fronteiras, é que são tantas idéias malucas do Tio Holly) e tenho medo até de farmácia!
Brincadeiras a parte. O meu recado é só para confirmar que precisamos urgentemente re-tomar nossa posição de sujeito coletivo, ligados única e exclusivamente pela solidariedade e afinidade pelo o outro.

Ana Laura

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Enfim

Ele morava já sozinho. Já sozinho há 3 anos. Ela se foi, enfim. Pensava assim em todas as manhãs que acordava às 7horas. Um suspiro antes de sair da cama. Enfim, era porque ela sofreu muito.
A manhã se fazia de café forte e o jardim nos fundos do quintal. Alface, cebolinha, salsa, coentro, alecrim, louro... no final das tarefas matutinas: as rosas e os brincos de princesa, lembranças vivas deixadas.
Almoço logo na esquina, bem barato e créditos com o dono do Restaurante. A prosa vinha e se estabelecia entre o passado e o presente. “Muita alface bonita” “E a perna machucada de guerra” “A falta que ela me fazia”. O futuro só se apresentava em conversas meteorológicas: “vai chover hoje” “o sol nasce!”. Enfim, o futuro não era tão interessante assim.
A tarde era da varanda. Qualquer distração... vizinho e mais prosa, algo a ser consertado, o rádio e um pouco de música. Tudo terminava no café forte, preto e coado lá pelas 16 horas.
Neste momento em diante era como se a dor voltasse da rua para dormir. Não, dormir significaria repousar enfim. Ela chegava e vigiava o jantar, a televisão, os sonos recortados e o coração de batidas fracas. Uma excelente vigia dos suspiros profundos, dos gemidos sufocados, das ânsias de chorar.
E logo o Sol surgia e tudo se repetia. Os brincos de princesa, da mais bela princesa da saudade, do presente na varanda, onde se podiam entreter as dores profundas do velho coração
. A noite sofrida e o sol logo surgindo.
Um dia de noite intensa. Os brincos de princesa vêm cobrar a ausência de cuidados. O almoço se fez num cheiro que cruzou a janela, mas que não supriu o apetite. Nada a se consertar a não ser a visão estonteada da cama jogada no teto. E a dor impiedosa, deitou junto a cama e conseguiu soprar vagamente suas melodias enfadonhas.
O Sol logo surgia na varanda solitária carregando na mão a Princesa de brincos. O futuro pede desculpa pela demora. Mas já não há mais desassossego para àquele coração. Consertado.
Enfim.
Ana Laura, estava pensando: onde que a rotina nos leva? O mesmo destino, enfim? A única coisa que torna o enfim diferente para cada um é a forma que re-contamos a mesma história. Re-contemos a história a cada dia, então.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Carta de um orkuteiro

Queria eu que você entendesse que nesta página pessoal eu não sou além de uma caricatura. Não sou nada do que um punhado imaginado de ilusão.
Já tenho 435 amigos, mas posso te dizer que só três deles continuam a ligar para saber como estou. Na maioria das vezes justifico minhas faltas como sendo um Momento meu, minhas conquistas e aventuras. No fundo, eu sei, que os amigos são importantes e quem me dera poder contar com os 435 que estão por lá.
Não se assuste com os números. Gostaria eu que os números demonstrassem a realidade dos sentimentos que se passam pela minha mente, que eles pudessem expressar que algumas vezes estou cansado, outras sozinho e tantas outras desmotivado. Na maioria das vezes as pessoas que não estão no meu Orkut são as que me fazem levantar.
Em particular, também não se impressione com as fotos do meu Orkut. A camera fotografica pode ser uma máquina de quimeras quando bem focalizada. Retiramos daqui a beleza da flor, outras um punhado de gente e outras tantas situações que as fotos diz mais do que eu estava sentindo no momento. Sou obrigado a tirá-las para provar as pessoas onde estive e com quem, sinceramente, não sei mais guardar recordações particulares na memória. Fotos não contariam a verdade por de traz dos sorrisos e dos abraços. Não contariam que a verdade não consegue ser registrada na amplidão, tudo está em recortes...e eu fiz deste albúm meu mosaico. Ainda bem.
Não se importe se elas mostram uma pessoa interessante, arrojada e viajada. Na maioria das vezes passo meus finais de semana sozinho, contando mentiras pela internet e evitando meus familiares porque já desaprendemos a falar a mesma língua.
Na minha solidão para tudo achei justificativas. Os amigos que mudaram, as pessoas que não estão na mesma sintonia, amores que não fizeram nada para dar certo. Não sou eu, juro.
Falando em me justificar as comunidades dão o tom de como eu gostaria realmente que me visse: interessante, atualizado, intencionado e otimista. Não pense que eu não acredito em tudo que está por lá, mas talvez não conheça tudo o quanto desejo e que faria mais juz as minhas aspirações. São os pequenos compromissos que assumi diante da vida: discutir sobre sociedade, transformação ou qualquer coisa que impressione. Será que só esse esforço basta?
Não querida, não me queira pela aquela brincadeira tola de viver. As vitrines das vaidades são imensas, mas tudo faz parte da minha invenção para continuar vivendo.

José